
A artista portuguesa apresenta em Madrid Três Filhas, a coleção que assinala um novo momento do seu percurso artístico. A artista portuguesa apresenta em Madrid Três Filhas, a coleção que assinala um novo momento do seu percurso artístico. Há exposições que representam muito mais do que uma estreia internacional. As Três Filhas, de Filipa Sáragga d’Orey, marca um ponto de viragem na trajetória da artista portuguesa, que apresenta a sua mais recente coleção na Galería Jorge Alcolea, em Madrid, um dos espaços de referência da arte moderna e contemporânea em Espanha.
Licenciada em Artes Plásticas pela Faculdade de Belas-Artes da Universidade de Lisboa, Filipa Sáragga d’Orey construiu um percurso singular, repartido entre a pintura, a literatura infantil e o trabalho social. Fundadora da Associação Princesa Azul e autora de livros integrados no Plano Nacional de Leitura, desenvolveu sempre uma prática artística onde criação, educação e compromisso social se cruzam.

Casaco, Flávio Brandão. Saia, Alves Gonçalves. Jóias Antique, Ritz Four Seasons Lisbon.
Coche do Papa Clemente XI – séc.XIX. Imagem realizado a partir da obra Onde a memória âncora.
Dimensões: 130x130cm Técnica: Acrílico sobre tela, lápis de cor e apontamentos a pastel de óleo.

Camisa vintage, saia Luís Carvalho, Jóias Antique, Ritz Four Seasons Lisbon. Mala Posta – séc. XIX. Obra: titulo: A infância 0demora-se. Dimensões: 150×100 cm. Técnica: Acrílico sobre tela, lápis de cor e apontamentos a pastel de óleo.
Em Três Filhas, a maternidade deixa de ser um tema para se tornar a estrutura invisível da pintura. As paisagens, os cavalos, os jardins e os padrões geométricos compõem um universo onde memória, infância e espiritualidade convivem numa linguagem simultaneamente íntima e universal.
O ponto de partida da coleção é um pequeno tapete cosido à mão, onde as filhas da artista passaram os primeiros anos de vida. Esse objeto doméstico transforma-se numa metáfora de proteção, pertença e continuidade, dando origem aos padrões que atravessam toda a série.

Cardigan, top e saia, Loja das Meias. Jóias Antique, Ritz Four Seasons Lisbon. Coche Filipe II, séc. XVI-XVII.
A construção das obras revela também uma nova exigência técnica. Acrílico, pastel de óleo e lápis de cor sobre diferentes suportes dão corpo a pinturas desenvolvidas em sucessivas camadas, num processo lento e contemplativo que privilegia a profundidade da composição.

Filipa: Vestido, Alves Gonçalves. Jóias Antique, Ritz Four Seasons Lisbon. Sapatos Marc Jacobs, Loja das Meias. Assunção e Graça: Toucas, vestidos, meias e sapatos Pukatuka. Obra: A família é o lago. Dimensões: 150×180 cm. técnica: Acrílico sobre tela, lápis de cor e apontamentos a pastel de óleo.
“A ESCOLHA DO MUSEU DOS COCHES FEZ TODO O SENTIDO. OS .CAVALOS ATRAVESSAM TODA A COLEÇÃO DAS TRÊS FILHAS E FAZEM PARTE DO IMAGINÁRIO MAIS PROFUNDO DA MINHA FAMÍLIA. O PEDRO, MEU MARIDO, CRESCEU RODEADO DE CAVALOS E TRANSMITIU ESSE UNIVERSO ÀS NOSSAS FILHAS, PARA QUEM MONTAR A CAVALO É UM DOS MOMENTOS DE MAIOR ALEGRIA. POR ISSO, OS CAVALOS SURGEM REPETIDAMENTE NAS MINHAS PINTURAS, NÃO APENAS COMO FIGURAS, MAS COMO SÍMBOLOS DE LIBERDADE, INFÂNCIA E CONTINUIDADE ENTRE GERAÇÕES”.

Filipa: Camisa vintage, saia Luís Carvalho, Jóias Antique, Ritz Four Seasons Lisbon. Assunção e Graça: Toucas, vestidos, meias e sapatos Pukatuka. Carruagem da Coroa – séc. XIX. Obra: As guardiãs do tintas. Dimensões: 31.3×33.3 cm. Técnica: Acrílico sobre tela, lápis de cor e apontamentos a pastel de óleo.
Mais do que uma exposição sobre a infância ou a família, Três Filhas propõe uma reflexão sobre aquilo que permanece, a memória, o afeto e os lugares interiores que todos transportamos. Madrid assinala assim, não apenas a internacionalização da artista, mas a afirmação de uma linguagem plástica cada vez mais consistente e reconhecível.

Assunção, 80×80 cm. Acrílico, lápis de cor e apontamentos a pastel de óleo
“PINTAR COMO FORMA DE ORAÇÃO, E PINTO QUASE SEMPRE EM SILÊNCIO. MUITAS VEZES, ESSE SILÊNCIO TRANSFORMA-SE EM ORAÇÃO. A PINTURA TORNOU-SE, PARA MIM, UMA FORMA DE AGRADECER. AGRADECER A DEUS PELAS MINHAS FILHAS, PELA MINHA FAMÍLIA, PELA POSSIBILIDADE DE CRIAR E POR ESTE MOMENTO TÃO PLENO DA MINHA VIDA”.

Assunção: Coroa e cavalinho de pau, Cristina Siopa. Vestido com 130 anos de Maria Camila Schroeter Vianna,trisavó da Assunção. Carrinho de criança – séc. XIX. Obras de Filipa Sáragga d’Orey

Vestido Alves Gonçalves. Jóias vintage e Antique, Ritz Four Seasons Lisbon. Coche Coroação de Lisboa – séc. XVIII e Coche dos Oceanos – séc. XVIII. Obras: O labirinto das pétalas. Dimensões: 100×80 cmtécnica: Acrílico sobre tela, lápis de cor e apontamentos a pastel de óleo e O Cavalo azul. Dimensões: 80x100cm. Acrílico sobre tela, lápis de cor e apontamentos a pastel de óleo.
“UM DOS MOMENTOS MARCANTES DE TODO ESTE PERCURSO ACONTECEU QUANDO VI, PELA PRIMEIRA VEZ, AS MINHAS PINTURAS NO MUSEU DOS COCHES. NÃO PENDURADAS NUMA PAREDE NO SENTIDO TRADICIONAL DE UMA EXPOSIÇÃO, MAS EM DIÁLOGO COM UMA DAS MAIS EXTRAORDINÁRIAS COLEÇÕES DE PATRIMÓNIO DE PORTUGAL. FOI APENAS UMA SESSÃO FOTOGRÁFICA PARA ESTA ENTREVISTA, MAS PARA MIM TEVE UM SIGNIFICADO MUITO MAIOR. VER ESSE UNIVERSO DIALOGAR COM OS COCHES HISTÓRICOS FOI PROFUNDAMENTE EMOCIONANTE. DURANTE ALGUMAS HORAS SENTI QUE AS MINHAS PINTURAS ENCONTRAVAM UM LUGAR ONDE A MEMÓRIA, A TRADIÇÃO E A IMAGINAÇÃO SE CRUZAVAM DE FORMA QUASE NATURAL. FOI UMA EXPERIÊNCIA QUE DIFICILMENTE ESQUECEREI E UM DESSES MOMENTOS QUE NOS FAZEM PERCEBER, COM ENORME GRATIDÃO, O CAMINHO QUE A ARTE PODE ABRIR”.

Filipa: Camisa em renda, Loja das Meias. Saia Luís Carvalho. Jóias Antique, Ritz Four Seasons Lisbon. Assunção e Graça: Chapéus em palha e vestidos vintage. Meias e sapatos Pukatuka. Joca (cavalo lusitano) Obra: titulo: Onde começa o caminho. Dimensões: 28.3×42.8 cm. Técnica: Acrílico sobre tela, lápis de cor e apontamentos a pastel de óleo.

Camisa e saia, Flávio Brandão. Botões (pregadeiras) em prata, vintage. Jóias Antique, Ritz, Four Seasons Lisbon. Joca (cavalo lusitano)

Antes do motor, houve o cavalo. Durante séculos, foi ele quem transportou reis e soldados, ligou territórios, abriu caminhos e marcou a História. Em Portugal, esse património e essa tradição preservam-se na Unidade de Segurança e Honras de Estado da GNR. Na Ajuda, onde o histórico 4.º Esquadrão celebra cem anos de instalação, vivem cerca de 115 cavalos. Uma parte significativa pertence à linhagem Puro Sangue Lusitano, raça que encontra aqui uma das suas expressões mais completas. Inteligência, coragem, equilíbrio e grande disponibilidade para o trabalho fazem destes animais parceiros de uma missão muito mais ampla do que a imagem cerimonial pela qual são habitualmente conhecidos. São eles que acompanham Chefes de Estado, escoltam Presidentes da República e asseguram as cerimónias militares que continuam a marcar o protocolo oficial português, praticamente inalterado há um século. Mas também patrulham praias, florestas, parques e centros históricos, acompanham peregrinações, reforçam dispositivos de segurança em grandes eventos, participam em operações de manutenção da ordem pública e integram programas de hipoterapia e escolas de equitação abertas à comunidade.
Essa versatilidade começa muito antes da primeira missão. Os cavalos chegam jovens, selecionados entre criadores nacionais através de um rigoroso processo de escolha. Os militares aprendem a conhecê-los e, mais do que montar, constroem uma relação de confiança mútua da qual depende grande parte do sucesso de cada missão.


Joca cavalo de raça lusitana, nasceu em Alter do Chão em 2014
Na Unidade preservam-se também algumas das expressões mais singulares da cultura equestre portuguesa. A Charanga a Cavalo, criada em 1942 e praticamente única no mundo, continua a interpretar repertório musical a passo, a trote e até a galope. A seu lado, a Reprise a Cavalo e a participação regular em competições nacionais de ensino, saltos de obstáculos e concurso completo de equitação confirmam que a excelência equestre continua a fazer parte da identidade da Guarda.
Há cavalos que ficam para a história pelos resultados desportivos e outros pela personalidade. Na memória da Unidade permanecem nomes como Castiço, Hépodes e Zorro III, célebre pela capacidade quase lendária de se libertar da boxe e, por vezes, libertar também os companheiros.
A Cavalaria da GNR lembra que há competências que continuam a depender da inteligência, da sensibilidade e da confiança entre homem e animal. Mais do que preservar uma tradição, mantém vivo um património cultural que continua a servir o Estado e a aproximá-lo dos cidadãos. Evocar estes cavalos é, acima de tudo, honrar o património, a cultura e a história de Portugal.


Em 2025, celebrámos 120 anos da fundação do Museu dos Coches Reais no antigo Picadeiro Real de Belém (1905) e 10 anos da abertura do novo edifício do Museu Nacional dos Coches (2015), projetado pelo arquiteto brasileiro Paulo Mendes da Rocha, em parceria com o arquiteto português Ricardo Bak Gordon. Com uma história de mais de 400 anos, o vasto património hipomóvel hoje visível nestes dois espaços expositivos, que compreende viaturas do século XVII aos finais do século XIX, é de tal riqueza artística e plástica que cedo foi entendido como sendo imprescindível ser admirado por todos.
Foi nos primeiros anos do século XX que, por impulso da Rainha D. Amélia de Orleãns e Bragança e, por certo, influenciados pela Exposition Universelle de 1900 (Paris) – onde, pela primeira vez, foram expostos carros antigos –, que viaturas de aparato e carruagens, em grande número utilizadas pela Casa Real ou pela nobreza Portuguesa, bem com acessórios de equitação, trajes de corte e fardamentos de libré, foram colocados em exposição no amplo salão do outrora picadeiro do Real Paço de Belém, com reflexos imediatos na imprensa nacional. Mas, o consequente aumento da coleção e do número de visitantes, levou a que necessidade de mais espaço para área expositiva e para infraestrutura técnica de apoio fosse sendo reclamada. Algumas carruagens, guardadas nos palácios da Ajuda e das Necessidades, foram mesmo deslocadas para outros locais de visita – como a Cavalariça Real do Paço Ducal de Vila Viçosa –, pelo que importa hoje repensar na coleção e nas oportunidades de visualização de todo o seu conjunto.

Foi somente no início da década de 1990 que foram adquiridos os terrenos onde hoje vemos construído o novo Museu, cujo programa museológico permitiu uma apresentação cronológica por núcleos temáticos, onde se incluem, para além da exposição de inúmeros coches, berlindas, carruagens, seges, carrinhos de passeio, liteiras, cadeirinhas, carrinhos de criança e de outros bens ligados à temática da arte da cavalaria e aos jogos equestres, a tão desejada oficina de conservação e de restauro. É precisamente nesta sala que se tem alargado o conhecimento destas peças, cuja construção é complexa, com engenhosos sistemas de suspensão e exemplares trabalhos de madeira, metal, tecido, couro e pintura decorativa, colocando em evidência as capacidades técnicas dos artesãos que estiveram na origem da construção destas viaturas. Intervenções atuais, especializadas, permitem assim estabilizar materiais e corrigir danos, e assim prolongar a vida útil destas obras de arte por excelência.

Conceito e Realização Susana Jacobetty Fotografia e Direção Criativa João de Bettencourt Bacelar Styling Susana Jacobetty Com Filipa, Assunçâo e Graça Sáragga d’Orey e Joca (cavalo Lusitano) Cabelos João Batalha Maquilhagem Rita Nunes Agradecimentos Museu Nacional dos Coches, Museus e Monumentos de Portugal, Alexandre Nobre Pais, Rita Dargent, Maria Ana Bobone, Maria João Brandão, Bruna Cristiana, Guarda Nacional Republicana, Unidade de Segurança e Honras de Estado, Major Bruno Victorino, Capitão Gonçalo Reis, 1º Sargento Luís Gomes e Guarda Coelho.

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