16 Vezes Maria

por Matheus Belucio, Beatriz Peron e Matilde Betencourt

16 aparições marianas reconhecidas pelo Vaticano

No decorrer da história, foram relatadas milhares de aparições de Nossa Senhora, registradas em todo o mundo. Ela já apareceu para crianças, trabalhadores, religiosos, pessoas comuns e até para pessoas sem religião ou que professavam outro credo. Em suas diversas formas, sempre carregava uma mensagem. Nestas mensagens, a Virgem Maria não aponta para si mesma, mas conduz sempre a humanidade de volta a Jesus Cristo. Oficialmente, a Igreja Católica Apostólica Romana reconhece 16 destas aparições como autênticas. A devoção a Maria, mãe de Jesus, é inegavelmente difundida em todo o mundo desde o século I, quando se dá a primeira aparição (não oficial) em Espanha. A jovem mulher teve uma nobre missão e é fervorosamente admirada até hoje em todo o mundo.

1531 (séc. XVI) – Guadalupe (México)

Em dezembro de 1531, a Virgem de Guadalupe apareceu ao indígena Juan Diego Cuauhtlatoatzin (canonizado em 2002), no Monte Tepeyac, perto da Cidade do México. Ela pediu a construção de uma igreja e, como sinal ao bispo local, fez florescer rosas de Castela em pleno inverno naquele solo árido; ao abrir sua tilma (manto) diante das autoridades eclesiásticas para entregar as flores, a imagem da Virgem revelou-se impressa no tecido. Esta aparição foi coroada pelo Papa Leão XII a 8 de fevereiro de 1887. Mais tarde, o Papa João Paulo II viria a declarar Nossa Senhora de Guadalupe como a padroeira da América Latina. A sua festa litúrgica é celebrada anualmente a 12 de dezembro, na data da sua última aparição.

Fonte: Cezary Wojtkowski | Shutterstock; reproduzida a partir de Aleteia (2022)

1578  (séc. XVI)- Leżajsk (Polónia)

O cenário desta aparição foi o pequeno vilarejo de Leżajsk. A Virgem Maria, acompanhada por São José, apareceu duas vezes ao humilde trabalhador Tomasz Michałek. A Virgem pediu que uma capela fosse construída no local, para que os fiéis pudessem ali rezar e receber a sua intercessão, o que deu origem à célebre devoção a Nossa Senhora de Leżajsk. Esta aparição foi coroada pelo Papa Bento XIV em 1752. Em celebração desta coroação, a sua festa litúrgica é celebrada a 8 de setembro.

Fonte: Sanktuarium i Klasztor oo. Bernardynów w Leżajsku (s.d.)

1608 a 1612 (séc. XVII) – Šiluva (Lituânia)

Šiluva é uma pequena cidade da Lituânia, e no verão de 1608, as crianças que pastoreavam no campo viram uma mulher a chorar com um menino nos braços sobre uma rocha. As crianças chamaram o professor e pastor calvinista da localidade, que também presenciou a aparição, o que  ajudou a recuperar a fé católica na região após o avanço do protestantismo. A autenticidade desta aparição foi confirmada pelo Papa Pio VI por decreto papal a 17 de agosto de 1775. Sendo que a festa litúrgica anual coincide com a data da coroação canónica da imagem a 8 de setembro de 1786.

Fonte: Academia Marial (2022)

1664 a 1718 (séc. XVII e XVIII) – Laus (França)

Maria apareceu repetidamente a Benoîte Rencurel ao longo de décadas. Essas aparições ocorreram entre 1664 e 1718 nos Alpes franceses. Sob o título de Refúgio dos Pecadores, a Virgem pediu a construção de uma igreja e de um presbitério para que os fiéis buscassem a conversão por meio do Sacramento da Confissão e da unção com o óleo da lâmpada do santuário. O longo processo canónico foi encerrado em 1 de maio de 2008 com o decreto do Papa Bento XVI. A sua festa litúrgica é celebrada anualmente nesta data.

Fonte: Lim, J. F. M. (2020)

1830 (séc. XIX) – Paris (França)

Catherine Labouré (a jovem vidente) afirmou que, em 18 de julho de 1830, acordou ao ouvir a voz de um anjo em forma de uma criança, que a guiou até a capela, onde dialogou com a Virgem Maria. Em outra aparição, Nossa Senhora da Medalha Milagrosa (ou Nossa Senhora das Graças) pediu a criação da medalha e indicou o desenho como sinal de proteção e fonte de graças para quem a usasse com fé e confiança. As aparições foram reconhecidas em 1897 pelo Papa Leão XIII. A sua festa litúrgica é comemorada a 27 de novembro, data da sua última aparição. Catherine Labouré mais tarde foi canonizada pelo Papa Pio XII em 1947.

The chapel of Our Lady of the Miraculous Medal in Paris (Île-de-France, France) — Fotografia de Peter Potrowl (2011). Fonte: Wikimedia Commons (s.d.).

1842 (séc. XIX) – Roma (Itália)

A célebre visão da Virgem Maria na Igreja de Sant’Andrea delle Fratte, em Roma, marcou a conversão imediata do judeu Afonso Ratisbonne ao catolicismo. O evento levou Afonso a unir-se à obra já iniciada por seu irmão, o Padre Teodoro Ratisbonne (convertido anteriormente), o que consolidou a fundação da Congregação de Nossa Senhora de Sião. A aparição viria a ser reconhecida nesse mesmo ano, a 3 de junho, pelo Papa Gregório XVI. A comemoração da sua aparição é celebrada anualmente, a 20 de janeiro, pela Congregação de Nossa Senhora do Sião.

Fonte: PASCOM (2017).

1846 (séc. XIX) – La Salette (França)

Duas crianças pastoras (Mélanie Calvat e Maximin Giraud) tiveram uma visão de uma “Bela Senhora” numa montanha perto de La Salette. Falando alternadamente em francês e no dialeto local do occitano. Maria pedia que essas crianças levassem uma mensagem de conversão e reconciliação dirigida a todo o seu povo. No quinto aniversário da sua aparição, o Papa Pio IX reconheceu oficialmente a aparição de La Salette em 1852 ao conceder-lhe a aprovação pontifícia. A sua data de festa litúrgica é o dia 19 de setembro.

Nossa Senhora de La Salette — Fotografia de Tylwyth Eldar (2018). Fonte: Wikimedia Commons (s.d. -a)

1858 (séc. XIX) – Lourdes (França)

A Virgem apareceu à jovem Bernadette Soubirous, na gruta de Massabielle, em Lourdes. Nossa Senhora apareceu 18 vezes à jovem camponesa, que mais tarde foi canonizada. Durante as aparições, revelou-se como a “Imaculada Conceição” e indicou a Bernadette uma fonte de água até então oculta. Nossa Senhora convidou Bernadette a cavar o solo, a partir do qual surgiu água associada à nascente. Ainda hoje, a água da fonte está associada a curas sem qualquer explicação médica e declaradas milagrosas pela Igreja. O Papa Pio IX aprovou oficialmente as aparições de Nossa Senhora de Lourdes em 1862, após o decreto oficial emitido pelo bispo local de Tarbes, Dom Bertrand-Sévère Laurence. Em comemoração da primeira aparição, é comemorada a sua festa litúrgica a 11 de fevereiro.

Nossa Senhora de Lourdes — Fotografia de Dennis G. Jarvis (2014). Fonte: Wikimedia Commons (s.d. -b).

1866 (séc. XIX) – Filipově  (Chéquia)

Ocorreu a reconhecida aparição de Nossa Senhora Auxiliadora dos Cristãos à jovem enferma Magdalena Kade, que estava acamada devido a uma doença grave. Após a cura milagrosa de Magdalena, o local transformou-se num importante centro de peregrinação na Europa. A imagem de Nossa Senhora foi esculpida conforme a descrição da vidente. A sua aparição viria a ser reconhecida formalmente pelo Papa Leão XIII em 1885. Embora a data de celebração litúrgica de Nossa Senhora Auxiliadora dos Cristãos seja a 24 de maio, a 13 de janeiro é celebrado o aniversário da sua aparição.

Fonte: Davídková, M. (2022)

1871 (séc. XIX) – Pontmain (França)

Em 17 de janeiro de 1871, a aparição contemplada por crianças (Eugène e Joseph Barbedette, Françoise Richer e Jeanne-Marie Lebossé) começou por volta das 18h e durou cerca de três horas. Reuniu gradualmente os habitantes da aldeia; estes nada viam, mas rezavam. As crianças descreveram a visão ao longo do tempo. A comunidade recebeu a mensagem de Maria em 3 partes: “Mas rezai, meus filhos”, “Deus escutar-vos-á em pouco tempo” e “O meu Filho deixa-se comover”. A primeira autorização data de 1872, pelo Bispo de Laval. Em 1932, o Papa Pio XI concedeu um ofício e uma missa própria em honra a Nossa Senhora de Pontmain. Em 1934, a Mãe da Esperança recebeu a solene coroação canônica pelas mãos do Cardeal Verdier. Sua festa é celebrada a 17 de janeiro.

Nossa Senhora de Pontmain — Fotografia de GO69 (2011). Fonte: Wikimedia Commons (s.d. -c).

1877 (séc. XIX) – Gietrzwałd (Polónia)

Duas jovens locais, Justyna Szafryńska e Barbara Samulowska, de uma pequena aldeia, tiveram contacto com a Virgem Maria. Nessa aparição, Nossa Senhora pedia (em polaco, língua proibida pelo Império Prussiano) que as jovens rezassem o rosário diariamente para a libertação da Igreja e a cura dos enfermos. Em 1967, o Papa Paulo VI concedeu as coroas pontifícias à imagem, e o Cardeal Wyszyński (Primaz da Polónia), juntamente com o Cardeal Wojtyła, realizou a Coroação Canónica da pintura de Nossa Senhora. Apenas em 1977, o Bispo Józef Drzazga emite o decreto oficial das aparições, com a autorização da Santa Sé de Paulo VI. Novamente o Cardeal Karol Wojtyła preside à missa solene do centenário. Festa litúrgica a 27 de junho, em comemoração da primeira aparição.

Fonte: MaryPages (s.d.).

1879 (séc. XIX) – Knock (Irlanda)

Nessa aparição, as 15 testemunhas, incluindo crianças e adultos, afirmaram ter visto a mãe de Jesus, São José e São João Evangelista, bem como um altar com uma cruz e um cordeiro (representando Jesus Cristo e a Eucaristia). A aparição ocorreu na extremidade sul da pequena igreja paroquial local, a Igreja de São João Batista. O veredicto oficial de aprovação em 1936 foi emitido pelo Arcebispo de Tuam, Dom Thomas Gilmartin, e posteriormente ratificado pelas comissões oficiais com o aval da Santa Sé, que estava sob o pontificado do Papa Pio XI. É celebrada a sua festa litúrgica a 21 de agosto em memória da sua aparição.

Nossa Senhora de Knock — Fotografia de Michael McLaughlin (2014). Fonte: Wikipedia Commons (s.d. -d).

1917 (séc. XX) – Fátima (Portugal)

A Virgem Maria apareceu aos três pastorinhos: Francisco, Jacinta e Lúcia sobre uma azinheira na Cova da Iria. Entre o 13 de maio de 1917 e o 13 de outubro de 1917, ocorreram seis aparições, habitualmente no décimo terceiro dia de cada mês, excepto em agosto; a aparição de agosto aconteceu no dia 19, nos Valinhos, porque os pastorinhos foram impedidos de comparecer à Cova da Iria no dia 13. A Virgem se apresentou como “Sou do Céu” na primeira aparição e somente na última aparição identificou-se como “Senhora do Rosário”. Estas aparições viriam a ser reconhecidas a 13 de outubro de 1930 por Dom José Alves Correia da Silva. O Papa Pio XI deu o aval da Santa Sé ao conceder indulgências especiais aos peregrinos da Cova da Iria. É celebrada anualmente a celebração destas aparições a 13 de maio.

Nossa Senhora de Fátima — Fotografia de Bingar1234 (2014). Fonte: Wikimedia Commons (s.d. -e).

1932 a 1933 (séc. XX) – Beauraing (Bélgica)

Entre 29 de novembro de 1932 e 3 de janeiro de 1933, em Beauraing, foram relatadas 33 aparições a cinco crianças. Maria se apresentou como a “Virgem Imaculada” e “Mãe de Deus”. Na primeira aparição, as crianças foram desacreditadas pelos seus pais. Entretanto, Nossa Senhora voltou a aparecer e sempre pedia-lhes para rezarem e para construírem uma capela, para peregrinação e conversão dos pecadores. Em 1942, o Bispo de Namur, Dom André-Marie Charue, recebeu da Santa Sé um documento aprovado pelo Papa Pio XII dando total liberdade para proceder com o reconhecimento da devoção, o que resultou na autorização do culto público em 1943. O fim do processo ocorreu em 1949 com o aval do Vaticano e a publicação do decreto pelo bispo local. A sua festa litúrgica é celebrada em 29 de novembro.

Nossa Senhora de Beauraing — Fotografia de Donarreiskoffer (2019). Fonte: Wikimedia Commons (s.d. -f).

1933 (séc. XX) – Banneux (Bélgica)

Entre 15 de janeiro e 2 de março de 1933, a Virgem Maria apareceu oito vezes a Mariette Beco, de 11 anos, apresentando-se como a “Virgem dos Pobres”. Durante estas aparições, Nossa Senhora conduziu a menina até uma fonte e afirmou que ela seria destinada a todas as nações e a aliviar o sofrimento dos doentes, além de pedir oração constante e a construção de uma pequena capela. Foi reconhecida em 1942 pelo Bispo de Liège que autorizou o culto público inicial à Virgem dos Pobres com a devida licença do Vaticano. Após anos de análise teológica e observação de milagres, o bispo emitiu a carta pastoral definitiva que declarava a total sobrenaturalidade das aparições, contando com o aval da Santa Sé de Pio XII. A sua festa litúrgica é celebrada anualmente na data da sua primeira aparição, 15 de janeiro.

Estátua de Nossa Senhora de Banneux na fonte dentro do santuário em Banneux, Bélgica – Fotografia de Kent Johansson (s.d.). Fonte: Dreamstime (s.d.).

1981 a 1989 (séc. XX) – Kibeho (Ruanda)

Entre 1981 e 1989, a Virgem Maria terá aparecido a Alphonsine Mumureke, Nathalie Mukamazimpaka e Marie Claire Mukangango, três jovens estudantes de Kibeho. Apresentando-se como “Nyina wa Jambo” (Mãe do Verbo), a mãe de Jesus pediu conversão, oração e penitência. Além disso, pediu que rezassem dois terços diferentes: o rosário (Mariano tradicional) e, especificamente, o Terço das Sete Dores de Maria. O bispo da diocese local de Gikongoro, Dom Augustin Misago, emitiu o decreto definitivo de autenticidade das visões. A declaração do bispo foi formalmente ratificada e publicada pela Santa Sé sob a autoridade de João Paulo II em 2 de julho de 2001. A sua festa litúrgica é comemorada a 28 de novembro, marcando a data da sua primeira aparição a Alphonsine Mumureke.

Fonte: Via Crucis (2024)