por Susana Jacobetty
Fotografia João Bettencourt Bacelar




4º Esquadrão da GNR na Ajuda
Antes do motor, houve o cavalo. Durante séculos, foi ele quem transportou reis e soldados, ligou territórios, abriu caminhos e marcou a História. Em Portugal, esse património e essa tradição preservam-se na Unidade de Segurança e Honras de Estado da GNR.
Na Ajuda, onde o histórico 4.º Esquadrão celebra cem anos de instalação, vivem cerca de 115 cavalos. Uma parte significativa pertence à linhagem Puro Sangue Lusitano, raça que encontra aqui uma das suas expressões mais completas. Inteligência, coragem, equilíbrio e grande disponibilidade para o trabalho fazem destes animais parceiros de uma missão muito mais ampla do que a imagem cerimonial pela qual são habitualmente conhecidos.


Major Bruno Vitorino


Cavalariça do 4 esquadrão
São eles que acompanham Chefes de Estado, escoltam Presidentes da República e asseguram as cerimónias militares que continuam a marcar o protocolo oficial português, praticamente inalterado há um século. Mas também patrulham praias, florestas, parques e centros históricos, acompanham peregrinações, reforçam dispositivos de segurança em grandes eventos, participam em operações de manutenção da ordem pública e integram programas de hipoterapia e escolas de equitação abertas à comunidade

Hipoterapia no 4º esquadrão






4º Esquadrão da GNR na Ajuda
Essa versatilidade começa muito antes da primeira missão. Os cavalos chegam jovens, selecionados entre criadores nacionais através de um rigoroso processo de escolha. Os militares aprendem a conhecê-los e, mais do que montar, constroem uma relação de confiança mútua da qual depende grande parte do sucesso de cada missão.
Na Unidade preservam-se também algumas das expressões mais singulares da cultura equestre portuguesa. A Charanga a Cavalo, criada em 1942 e praticamente única no mundo, continua a interpretar repertório musical a passo, a trote e até a galope. A seu lado, a Reprise a Cavalo e a participação regular em competições nacionais de ensino, saltos de obstáculos e concurso completo de equitação confirmam que a excelência equestre continua a fazer parte da identidade da Guarda.

Charanga do 3º Esquadrão a Cavalo da GNR





Charanga do 3º Esquadrão a Cavalo da GNR
Há cavalos que ficam para a história pelos resultados desportivos e outros pela personalidade. Na memória da Unidade permanecem nomes como Castiço, Hépodes e Zorro III, célebre pela capacidade quase lendária de se libertar da boxe e, por vezes, libertar também os companheiros.





Joca (cavalo lusitano)

1º Sargento Luís Gomes e Joca

Filipa Sáragga d’Orey e Joca
A Cavalaria da GNR lembra que há competências que continuam a depender da inteligência, da sensibilidade e da confiança entre homem e animal. Mais do que preservar uma tradição, mantém vivo um património cultural que continua a servir o Estado e a aproximá-lo dos cidadãos. Evocar estes cavalos é, acima de tudo, honrar o património, a cultura e a história de Portugal.












Agradecimentos: Guarda Nacional Republicana, Unidade de Segurança e Honras de Estado, Major Bruno Victorino, Capitão Gonçalo Reis, 1º Sargento Luís Gomes e Guarda Pedro Coelho.


