As Cidades, a Educação e a Cultura

Pedra pintada pelo professor Vitor Rosa. Fotografia João Bettencourt Bacelar, 2026

Num mundo dominado pela guerra, que se torna cada vez mais global, por teorias economicistas macro (que o comum dos mortais não entende), por seres ignóbeis que tomam as decisões mais arbitrárias que nunca imaginamos possíveis, precisamos voltar ao local, àquilo que podemos mudar, à nossa ação civil, política, associativa, pedagógica e cultural. Esta mudança de paradigma convoca-nos a todos, ninguém se pode alhear do seu papel, da sua ação, do seu pensamento e da sua inspiração. Mudar o mundo a partir do micro, num efeito contagioso e contagiante, do bairro para a aldeia, da aldeia para a cidade, da cidade para a região e da região para cada país!

E é a partir destes três vértices, Cidade, Educação e Cultura que temos, urgentemente, de inverter o nosso pensamento e o nosso campo de ação. É às cidades, aos autarcas, que cabe, acima de tudo, esta possibilidade de fazer a diferença e implementar a mudança. E todos os autarcas sabem, ou grande parte dos autarcas sabe, que o seu lugar é defender e melhorar a vida dos seus munícipes, dos seus concidadãos, dos seus vizinhos!

Pedra pintada pelo professor Vitor Rosa. Fotografia João Bettencourt Bacelar, 2026

Se entendermos a política com a nobreza que ela encarna (ou devia encarnar), o autarca é aquele que melhor consubstancia este poder altruísta de intervenção na polis. A democracia existe verdadeiramente na cidade, na freguesia, onde autarcas e cidadãos se cruzam nas ruas da vida! Este encontro com a população, este conhecimento do terreno, das pessoas, dos seus nomes, das famílias, dos seus problemas faz toda a diferença. E isto é tanto mais verdadeiro quanto mais pequeno é o concelho ou a junta de freguesia, o que significa que independentemente do território que o autarca governa, a sua ação é sempre crucial para a sua população.

Precisamos por isso valorizar devidamente o poder local, acreditar em todos aqueles que se apresentam com projetos realistas, concretos, capazes de fazer grandes obras (um centro de saúde, uma grande estrada) mas também resolver os problemas micro que afetam alguma da sua população (o idoso que está sozinho, o doente que não tem transporte para o hospital). Mas este poder local precisa de confiança, duma dupla confiança, por um lado de quem manda no país, do governo, e por outro lado, da confiança dos seus eleitores . E só com competências sérias e financiamento, do governo, pode resolver e desenvolver a sua polis.

Mas vamos aos dois outros vértices do nosso triângulo perfeito. O político local tem de ser visionário, utópico, bairrista, tem de olhar para a linha do horizonte e pensar o que será o futuro da sua cidade, do seu concelho. Com os pés assentes na terra, consciente da sua localização, da sua população, do seu índice de desenvolvimento (e hoje abundam todas estas estatísticas que nos permitem comparar, perceber onde estamos bem e o que precisamos melhorar). Aqui temos de colocar na primeira linha a Educação e a Cultura, de mãos dadas, complementando-se, preservando e acrescentando.

Pedra pintada pelo professor Vitor Rosa. Fotografia João Bettencourt Bacelar, 2026

A Educação é a base de tudo, respeitando as políticas nacionais mas acrescentando o local, a sua Cultura, a sua Cidadania, as suas particularidades. A Educação, com a Cultura abre horizontes, cria igualdade de oportunidades, consubstancia o elevador social e garante munícipes mais preparados para os desafios do futuro. Mais preparados para desenvolver a sua terra mais preparados para entender e desafiar o mundo. São as Artes que nos abrem as asas, que nos modelam um carater mais flexível, mais empático, mais capaz de entender o mundo. A Cultura Local, a História de cada terra, as suas tradições merecem ser preservadas porque são identitárias e a escola é capaz de as passar a todos. E sabemos bem como a partir da Escola se atingem todos os outros elementos da população.

As cidades precisam construir o seu caminho, um presente com futuro, alicerçado nos estímulos da Educação e da Cultura. E acreditem que assim construímos um mundo melhor! Eu acredito! Eu confio! Com esta trilogia perfeita, o triângulo das virtudes, vamos melhorar o mundo!

Pedras pintadas por Cidália Sila, artesã do Alandroal. Fotografia João Bettencourt Bacelar, 2026