Fundação

Tapeçaria Paço dos duques

Jóias, Carolina Curado Jewellery. Vestido Zimmerman (Loja das Meias)

Jóias, Carolina Curado Jewellery. Top e calças, Marques Almeida

O Paço dos Duques de Bragança, situado na cidade de Guimarães, é um magnífico exemplar da arquitetura senhorial quatrocentista e berço da Casa de Bragança. Datado do séc. XV, foi edificado por D. Afonso, filho bastardo do rei D. João I e, primeiro duque de Bragança. No séc. XVI inicia-se um processo de ruína, que se prolonga até ao início do séc. XIX. Mais tarde, no séc. XX, entre 1937-59, o Paço passou por uma fase profunda de restauro e reabilitação, executada a partir de um projeto do arquiteto Rogério de Azevedo. Em 1959 é inaugurado como Palácio Nacional e aberto ao público como museu, expondo um espólio de objetos de artes decorativas do séc. XVII e XVIII. O Paço dos Duques está classificado como Monumento Nacional, fazendo parte dos Museus e Monumentos de Portugal.

Pintura de artista desconhecido, realizado a partir de um retrato de D. Nuno Álvares Pereira, pouco tempo depois da sua morte, século XV. Coleção privada.

Pormenor da representação do prmeiro Duque e Duquesa de Bragança, D. Afonso I e Dona Beatriz Alvim. Encomendado por D. João V a Giovanni Dominico Duprá. Sala dos Tudescos, Paço Ducal de Vila Viçosa, Fundação da Casa de Bragança.

Um pouco de História…

Para compreender as intrincadas teias de relações, casamentos, amantes, filhos legítimos e ilegítimos e, sobretudo, as leis sucessórias que influenciaram a criação da Casa de Bragança e desta sua sede na cidade berço, aqui fica um breve “enredo”. Nascido em 1357, D. João, filho do rei D. Pedro I e de D. Teresa Lourenço, uma aristocrata galega, sua amante, foi o décimo rei de Portugal e fundador da dinastia de Avis. Aos sete anos, foi armado cavaleiro e feito Mestre da Ordem de Avis, o que lhe proporcionou uma vasta herança e o mestrado de uma das mais ricas ordens militares, tornando-se num dos senhores mais ricos do seu tempo. Em 1377, bem antes de casar com D. Filipa de Lencastre, o Mestre de Avis teve um filho, D. Afonso, fruto da sua relação com D. Inês Pires, de quem haveria de ter mais uma filha, D. Beatriz.

Após a morte do seu meio-irmão, o rei D. Fernando, em 1383, D. João tornou-se um ativo opositor à regência de D. Leonor Teles, mulher do falecido rei e sua cunhada, cujas ligações deixavam antever a entrega do trono português ao rei de Castela. Nomeado defensor do reino, D. João comandou uma revolta contra a regente e, com a ajuda de Nuno Álvares Pereira, dirigiu uma prolongada campanha contra o invasor castelhano, culminando na vitória na Batalha de Aljubarrota, a 14 de agosto de 1385, com o apoio decisivo de Inglaterra. Estas vitórias asseguraram a independência do país e a coroação de D. João I. Em 1385, nas Cortes de Coimbra, o Mestre de Avis foi aclamado rei de Portugal e Nuno Álvares Pereira nomeado Condestável do Reino.

Jóias Carolina Curado Jewellery. Camisa e calças, Miguel Vieira

Inside of Palace of Bragança at Guimaraens, John Synge (1788-1845). IE TCD MS 6207, Manuscripts & Archives Research Library, Trinity College Dublin

Camisola e saia, Maria Gambina. Sapatos Francisca Nabinho

Do casamento de D. João I, em 1387, com D. Filipa de Lencastre, nasceu aquela a que Camões chamou de Ínclita Geração, formada pelos infantes D. Duarte, futuro rei de Portugal, D. Pedro, D. Henrique, o Navegador, D. Isabel, D. João e D. Fernando, o Infante Santo. Agora rei, D. João queria casar a filha do seu grande amigo Nuno Álvares Pereira, com um dos seus filhos, mas, como segundo filho, o Condestável não herdou a fortuna da família e, por isso, constituiu a sua própria Casa e património, tornando-se também um dos homens mais ricos do reino. Sabia, assim, que se a sua filha casasse com um herdeiro da coroa, todos os seus bens seriam incorporados na casa real e, a sua casa desapareceria, o que não era do seu interesse. Em 1401, o infante D. Afonso, filho bastardo do rei, casou-se com D. Beatriz, filha de Nuno Álvares Pereira, salvaguardando a fortuna da família. No contrato de casamento, o noivo recebeu de imediato o condado de Barcelos, um dos três detidos pelo sogro, que também possuía os condados de Ourém e de Arraiolos.

Jóias Carolina Curado Jewellery e Celine (Loja das Meias). Vestido, Miguel Vieira. Socas, Ihnny Luquessa

D. Afonso e D. Beatriz tiveram três filhos. Em 1414, D. Afonso enviuvou e, seis anos depois, casa em segundas núpcias, deixando o Paço de Chaves, onde vivia, para começar a construir o Paço de Guimarães, uma imponente residência senhorial, onde viveu com a sua segunda mulher, D. Constança de Noronha, filha do conde de Gijón e de D. Isabel, Senhora de Viseu. Neste período da sua vida, D. Afonso viajou pela Europa em compromissos diplomáticos e por iniciativa pessoal, esteve em Inglaterra, Escócia, Espanha, França e Itália. Estas viagens influenciaram o seu modo de ver o mundo e de viver, refletindo-se também na forma como edificou o Paço de Guimarães, por volta de 1420. Construído parcialmente sobre a velha muralha que envolvia a vila de cima, o Paço impunha-se altaneiro sobre a então vila de Guimarães, com o Castelo em plano superior.

Óculos Tom Ford (André Ópticas). Jóias, Carolina Curado Jewellery. Fato, Etro (Espace Cannelle)

Participante ativo nas campanhas africanas, D. Afonso esteve presente na conquista de Ceuta, em 1415. Mais tarde tem também um papel de relevo nas lutas da regência em 1438, opondo-se a D. Pedro, seu meio-irmão, e fazendo do seu condado um baluarte de contestação. A sua nomeação para governador de Entre-Douro-e-Minho e Trás-os-Montes, em maio de 1440, não impediu que, direta ou indiretamente, continuasse a lutar pelo afastamento de D. Pedro da regência do reino, como se verificou na Batalha de Alfarrobeira, onde combateu ao lado de D. Afonso V, seu sobrinho.

Brinco Celine e camisa Zimmerman (Loja das Meias). Blazer, Luís Carvalho. Anéis, Carolina Curado Jewellery

Jóias Celine (Loja das Meias) e Carolina Curado Jewellery. Fato, Luís Carvalho

Em 1442, e num breve momento de paz entre os dois, D. Pedro concede ao irmão o título de Duque de Bragança. É nesta altura que o Condado de Barcelos que D. Afonso havia recebido quando casou, do sogro Nuno Álvares Pereira, foi alargado a Guimarães, como parte das concessões que lhe foram feitas e que incluíam várias terras e títulos, estando na base de uma das mais ricas e poderosas casas senhoriais da Península Ibérica – a Casa de Bragança.

Óculos, Family Affair (André Ópticas).Gabardine e vestido, Nuno Baltazar. Socas, Ihnny Luquessa

Claustro do Paço Duqual

O Paço dos Duques de Bragança é, assim, um símbolo dos novos tempos e do poder e influência de D. Afonso, senhor de vastos domínios, no entanto acaba por ser também um legado de Nuno Álvares Pereira, por via do alargamento do condado que passou ao genro e que, 10 anos após a morte do Condestável, se vê assim convertido no núcleo patrimonial mais poderoso do país.

Jóias Carolina Curado Jewellery. Vestido, Marques Almeida. Socas, Ihnny Luquessa Cães de Gado Transmontano: Valente, Rei, Quica e Lontra de Nogueira da Montanha

REALIZAÇÃO SUSANA JACOBETTY FOTOGRAFIA JOÃO BETTENCOURT BACELAR

VÍDEO MARIA JACOBETTY BACELAR COM BENEDITA PEREIRA CABELOS E MAQUILHAGEM

LUCÍLIA LARA ASSISTENTES DE PRODUÇÃO E FOTOGRAFIA BEATRIZ NUNES, HENRIQUE OK…

AGRADECIMENTO MUSEUS E MONUMENTOS DE PORTUGAL, PAÇO DOS DUQUES

APOIO PRODUÇÃO CARLOS CARVALHO, DULCE RIBEIRO, RUTE COSTA, CAFÉ COCONUTS, O’CLOCK GASTROBAR