SURFISTAS DA LINHA

Embora a História do surf seja secular e tenha as suas raízes em locais como a Polinésia, o Tahiti ou o Hawai, segundo João Moraes Rocha,antigo campeão nacional e umas das referências dos primórdios deste desporto: “em Portugal, o surf não apareceu de um momento para o outro. Foi aparecendo, muito devagar e de forma descontínua, ao longo de, pelo menos, duas décadas. Só em meados de 1970 é que o surf nacional assumiu a forma que hoje conhecemos. Nessa época em que a maioria dos surfistas em Portugal eram estrangeiros, começam a aparecer as primeiras tribos e as praias de Carcavelos e de São Pedro de Estoril foram um dos seus principais berços.

Banistas com pranchas de madeira na Praia do Tamariz. 1930, Arquivo Histórico Municipal de Cascais

A utilização do surf como técnica de salvamento foi posta em prática em Portugal em meados da década de 1970 na praia do Guincho. O primeiro nadador salvador surfista foi o Tó-Pê, de Carcavelos, que com os seus 16 anos foi contratado por António Muchaxo e a ganhar 200 escudos por mês. Mais tarde, Tó-Pê Rocha viria a ser um dos fundadores da primeira escola de surf nacional, a Guincho Summer-School, em 1979.

O surf no feminino aparece, igualmente, em Portugal na mesma década, mas o seu desenvolvimento foi muito lento e pouco expressivo. Entre as razões apontadas para a sua falta de adesão, estão os preconceitos que associavam este desporto mais ao sexo masculino, dando origem a uma grande disparidade na sua evolução entre os géneros e uma menor paridade na modalidade.

Os três irmãos mais velhos da família Rocha, Zé, Tó-Pê e João. Carcavelos, 1973.

Teresa Abraços, São João do Estoril, 1991