Museu Nacional Soares dos Reis

O Museu Nacional Soares dos Reis, foi distinguido pelo segundo ano consecutivo com o Prémio Tripexpert Experts’ Choice Award, prémio de prestígio e reconhecimento, enquanto um dos espaços mais interessantes e pertinentes a visitar na cidade do Porto. Também já tinha sido galardoado este ano com o Prémio Museu do Ano 2024, pela Associação Portuguesa de Museologia.

A A MAGAZINE esteve no museu e, deixa-lhe aqui o registo de algumas imagens de obras, objetos e ambientes, que poderá encontrar neste espaço quando o visitar. A fotografia é de João de Bettencourt Bacelar

Retrato de Soares dos Reis por Marques de Oliveira (1853-1927), óleo sobre tela. Oferta da família do artista

Filha dos Condes de Almedina, por António Soares dos Reis (1847-1889), Marmore de Carrara, 1882.

Luísa Guimarães Guedes era filha de Delfim Guedes, Conde de Almedina, figura destacada no meio artístico como inspetor da Academia Real de Belas Artes de Lisboa. A evolução da obra está documentada em desenho e maquete revelando o envolvimento do artista. 

Nesta obra final há que notar a complexa elaboração do modelado, em especial no cabelo, flores e bordado do vestido. Em termos da composição, são traços definidores de um esquema muito próprio de Soares dos Reis: a pose sinuosa com cruzamento de braços a meio-corpo do modelo, tratado em repouso, de expressão reservada. 

fonte MNSR

Henrique Pousão

Ana Paula Machado, Conservadora e, António Ponte, Diretor do Museu Nacional Soares dos Reis, assinam o artigo Henrique Pousão na A MAGAZINE 9, que também pode ser lido na íntegra aqui

“A caminho do bicentenário, o Museu Nacional Soares dos Reis, sem perder a sua identidade, procura reinventar-se, trilhar novos caminhos, reler as suas coleções e rever as suas narrativas, tendo em vista uma maior eficácia na valorização do património cultural à sua guarda e honrando a história de que é herdeiro.

Criado por D. Pedro IV em 1833, O atual Museu Nacional Soares dos Reis nasce com a designação de Museu Portuense de Pinturas e Estampas, instalando-se no Convento de Santo António, na zona oriental da cidade (Jardim de S. Lázaro), sob direção do pintor João Baptista Ribeiro, com um programa cultural e pedagógico inovador, de apoio aos artistas da Academia Portuense de Belas Artes e divulgação da arte mediante a organização de exposições públicas, tendo sido confirmado por D. Maria II, em 1836, no âmbito das reformas da instrução pública levadas a cabo pelo ministro Passos Manuel, sendo o primeiro Museu de Arte do nosso país.

A criação deste museu insere-se num contexto internacional de criação de museus e de valorização da cultura, das artes e do património cultural saído da Revolução Francesa, que o Liberalismo vem reforçar. Em 1839. o acervo do Museu transitou para a direção da Academia Portuense de Belas-Artes, promovendo fortalecimento da relação entre o museu e o ensino artístico no século XIX, abrindo as portas à entrada na coleção do Museu da Coleção de Artes plásticas da Academia. O Museu que tinha recebido os bens de mosteiros extintos e abandonados vê alargada e reforçada a sua coleção ampliando a sua influência e importância. É neste contexto que vemos surgir como uma representação de enorme valor artístico e patrimonial no conjunto das coleções do Museu o acervo entregue pelo pai de Henrique Pousão à Academia Portuense de Belas Artes.

A coleção com diversas origens pauta-se pela presença de obras de arte referenciais no contexto da arte portuguesa. Os trabalhos de Henrique Pousão, como referimos, são um marco identitário do Museu Nacional Soares dos Reis, que, a par com obras de António Soares dos Reis, Marques de Oliveira, Silva Porto, Aurélia de Sousa sustentam uma narrativa que nos permite percorrer dois séculos e meio da História da arte nacional, sendo recorrentemente solicitadas para integrarem exposições nacionais e estrangeiras que reforçam a importância destes trabalhos”.

Ana Paula Machado, António Ponte