CIEMAR

São várias as pessoas que, na Universidade de Évora, estudam ambientes marinhos ou acerca deles transmitem conhecimentos científicos. Falamos aqui das atividades profissionais de um grupo dessas pessoas, desenvolvidas no Laboratório de Ciências do Mar (CIEMAR)1, a funcionar em Sines desde 1990, graças aos esforços do Jorge Araújo2, diretor do Departamento de Biologia nessa altura, e ao seu grande entusiasmo pela biologia marinha.

Um dos primeiros e principais estudos deste laboratório é sobre a biologia e exploração do percebe, uma das espécies com mais importância económica na costa portuguesa, e acerca do qual se fala mais à frente, neste artigo. Com este e outros estudos, começámos a investigar sobretudo em costas rochosas oceânicas, importantes para a pesca e muito abundantes no Alentejo e na restante região sudoeste de Portugal continental, mas neste país menos estudadas, nessa altura, que os estuários e as lagoas costeiras.

Muitos outros estudos têm sido realizados no CIEMAR, envolvendo, nos últimos anos, uma dúzia ou mais de investigadores, como os dirigidos à pesca e ao seu impacte no litoral rochoso alentejano, à avaliação da qualidade de ambientes marinhos do Porto de Sines, financiados pela respetiva administração, à ecologia de peixes, invertebrados, algas e aves de litorais rochosos, à biologia e distribuição de mamíferos

e répteis marinhos, em resposta ao seu arrojamento, e aos efeitos de áreas marinhas protegidas, tendo também sido estudadas a biologia e a ecologia dos estuários dos rios Mira e do Sado, e das lagoas de Santo André e de Melides. Embora a maioria tenha sido realizada na costa alentejana,

alguns destes estudos foram desenvolvidos noutros locais da costa portuguesa (por exemplo, nas Berlengas e entre Cascais e a Ericeira) e no estrangeiro (por exemplo, em Cabo Verde e em Moçambique).

Esta investigação em biologia marinha tem sido o suporte de muitas atividades de ensino, envolvendo estudantes da nossa universidade ou de outras instituições, nacionais ou estrangeiras. Aproveitando a proximidade da costa alentejana, são no CIEMAR realizadas aulas em que se observam e estudam organismos marinhos colhidos ou acabados de colher nas suas águas ou nos seus fundos marinhos, perto das bancadas onde os esperam lupas e microscópios. Com estudantes, também se tem ido frequentemente à maré, à descoberta da vida na maré baixa e usando o litoral entremarés como um laboratório vivo.

No exterior, também se têm levado estudantes a falar com pescadores e a conhecer a sua opinião sobre a gestão da pesca e a conservação marinha, ou a observar as atividades de um porto de pesca e os peixes e mariscos pescados. Com a necessária adaptação, o mesmo se tem feito em diversas atividades de divulgação científica, com estudantes mais novos, da pré-escola ao secundário e de escolas do Alentejo, ou com o público em geral, de feiras e festivais.

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