Por Susana Jacobetty
Fotografia João Bettencourt Bacelar
ARCOlisboa 2026 consolida Lisboa como plataforma internacional da arte contemporânea
A nona edição da ARCOlisboa encerrou com sinais claros de maturidade e afirmação no panorama artístico europeu. Ao longo de quatro dias, a Cordoaria Nacional voltou a transformar-se num ponto de convergência para galeristas, colecionadores, curadores, artistas e instituições, confirmando o papel crescente de Lisboa enquanto centro de circulação e reflexão da arte contemporânea.
Mais do que uma feira de mercado, a ARCOlisboa consolidou-se como um espaço de encontro entre diferentes geografias artísticas, promovendo o diálogo entre a criação portuguesa e os circuitos internacionais. A edição de 2026 reuniu 83 galerias provenientes de 17 países, reforçando a dimensão cosmopolita de um evento que tem contribuído decisivamente para a projeção externa da cena artística nacional.
A forte adesão do público, estimada em mais de 15 mil visitantes, revelou igualmente uma tendência relevante, o crescente interesse das novas gerações pela arte contemporânea. A abertura gratuita a visitantes com menos de 25 anos, promovida pelo Ministério da Cultura, Juventude e Desporto, traduziu-se numa presença significativa de jovens, sinal de uma estratégia que procura formar novos públicos e democratizar o acesso à criação artística.
O ambiente vivido ao longo da feira refletiu também a confiança do mercado. As vendas registadas desde os primeiros dias confirmaram o interesse de colecionadores nacionais e internacionais pelas propostas apresentadas. Entre as aquisições institucionais mais relevantes destacou-se a Câmara Municipal de Lisboa, que integrou 25 obras de 17 artistas no seu património, reforçando o compromisso público com a valorização da produção contemporânea.
A dimensão internacional da ARCOlisboa voltou igualmente a ser evidente através da presença de mais de uma centena de convidados estrangeiros, entre diretores de museus, curadores e colecionadores. Esta rede de contactos e de oportunidades continua a ser um dos maiores ativos da feira, permitindo aos artistas portugueses uma exposição privilegiada junto dos principais agentes do setor.
Os prémios atribuídos durante o evento demonstraram, por sua vez, o crescente envolvimento de fundações, empresas e coleções privadas na dinamização do ecossistema artístico. A galeria portuguesa Lehmann foi distinguida com o Prémio Fundação Millennium bcp para o Melhor Stand, enquanto a galeria chilena Espacio218 recebeu o Prémio Opening Lisboa, dedicado às galerias emergentes.
As aquisições promovidas por entidades como a Fundação ARCO, o MACAM, a FLAD, a Coleção Kells e a Fundação Vasco Vieira de Almeida evidenciam uma tendência particularmente significativa, o reforço do colecionismo institucional como instrumento de apoio à criação contemporânea e de construção de património cultural para o futuro.
Num contexto internacional marcado por profundas transformações económicas e culturais, a ARCOlisboa demonstra uma capacidade crescente para afirmar Lisboa como um dos polos mais relevantes da arte contemporânea no sul da Europa. O sucesso desta edição não se mede apenas pelo volume de negócios ou pelo número de visitantes, mas sobretudo pela consolidação de uma plataforma capaz de ligar artistas, instituições e públicos numa visão ampla da cultura contemporânea.
Com a décima edição já anunciada para maio de 2027, a ARCOlisboa entra numa nova fase da sua história. Uma década depois da sua criação, a feira confirma-se como um dos mais importantes acontecimentos culturais realizados em Portugal e como um dos principais instrumentos de internacionalização da arte portuguesa.














































