
Por Susana Jacobetty
Fotografia João Bettencourt Bacelar
Sandro Aguilar regressa com Primeira Pessoa do Plural
A 19 de fevereiro chega às salas Primeira Pessoa do Plural, nova longa-metragem de Sandro Aguilar que confirma a coerência de um dos percursos mais singulares do cinema português. Coproduzido entre Portugal e Itália, o filme reúne Isabel Abreu e Albano Jerónimo nos papéis de um casal que, à beira de duas décadas de vida comum, tenta reorganizar a intimidade depois de uma perda irreparável, enquanto o filho adolescente fica entregue a uma casa suspensa.
Aguilar volta a trabalhar o drama familiar como território de observação, privilegiando a sugestão sobre a explicação e uma mise-en-scène atenta à matéria sensível dos gestos e dos espaços. A passagem por festivais como Roterdão sublinha essa identidade autoral, um cinema de tempo denso, que prefere escutar as fissuras das relações a resolvê-las em psicologia ilustrativa.
Mais do que contar uma história, o filme propõe uma experiência de olhar, discreta, rigorosa e adulta, sobre a instabilidade dos afectos contemporâneos.

“Num mundo em que se torna cada vez mais importante perceber como conseguimos sobreviver e como conseguimos resistir, este é talvez um filme, que fala sobre a resistência e a sobrevivência à perda de uma filha.”
Isabel Abreu

“A necessidade do outro para existir.”
Albano Jerónimo

Isabel e Albano


“Depois veio a amizade. O Albano é uma pessoa com quem eu amo trabalhar. Transformou-se num cúmplice daquilo que eu faço. Qualquer projeto que me venha parar às mãos e que saiba que vou contracenar com o Albano… há uma percentagem da parte do nosso trabalho que tem a ver com cumplicidade. Depois temos uma forma parecida de ver e encarar os projetos, os processos de trabalho. Eu acredito muito na escuta, assim como o Albano, acredito muito no outro, como o Albano acredita também. Neste espaço que existe entre nós os dois, este filme foi mais um desafio. Tivemos outros, outros filmes do Sandro Aguilar. Comecei a trabalhar com o Sandro, ainda no final do Conservatório. O Sandro tinha muita resistência aos atores e, lembro-me muito bem quando começou a surgir o nome do Albano nestes processos, quando era preciso alguém muito especial para encaixar nesta triangulação com o Sandro” Informou Isabel.


“A nossa relação é baseada na admiração, respeito, amizade, família. No fundo é uma expansão da nossa vida, temos a sorte de ter alguém como o Sandro que nos dá uma montra, ou um palco, para existirmos em outras possibilidades. E como há confiança, flui de uma forma muito mais íntima, mais profunda” Albano concluiu




Albano Jerónimo foi distinguido com o prémio de Melhor Ator na 40.ª edição da Mostra de Valência – Cinema del Mediterrani, em Espanha, pelo desempenho em Primeira Pessoa do Plural. Um reconhecimento que confirma a profundidade do seu trabalho e a força do cinema português contemporâneo, cada vez mais presente nos grandes palcos internacionais.



Argumento e realização: Sandro Aguilar
Fotografia: Rui Xavier
Som: Alessio Fornasiero, Sandro Aguilar, Tiago Matos
Montagem: Sandro Aguilar
Música: Marco Franco
Produção: Luís Urbano, Sandro Aguilar / O Som e a Fúria, Alessandro Borrelli / La Sarraz Pictures
Elenco: Albano Jerónimo, Isabel Abreu, Eduardo Aguilar, Carla Maciel, Cláudio da Silva, Cláudia Efe

