
Por Susana JAcobetty
Fotografia João Bettencourt Bacelar

Vaga Luz, uma criação de UMCOLETIVO, estreia a 9 de janeiro no Teatro São Luiz, Sala Mário Viegas, em Lisboa, onde permanece em cena até 18 de janeiro. O elenco integra Bruno Caracol, Cátia Terrinca, João P. Nunes, Luís Eduardo Graça, Raquel Pedro, Ricardo Boléo e Rui Salabarda.

O espetáculo apresenta-se como um dispositivo especulativo de investigação teatral, desenvolvido a partir de arquivos formais e informais da poeta Fiama Hasse Pais Brandão, do Grupo de Teatro Hoje e do compositor Jorge Peixinho. O ponto de partida é a interrogação de uma prática teatral que Fiama formulou teoricamente e ensaiou criticamente, mas que nunca chegou a consolidar enquanto corpo autónomo de obra cénica.

Situada entre a poesia e o teatro, entre o surrealismo e o pensamento político do pós-25 de Abril, Fiama desenvolveu ao longo do século XX uma reflexão singular sobre a cena enquanto espaço de perceção, linguagem e pensamento. A sua escrita crítica, dramaturgia, tradução, trabalho de interpretação e a única encenação que realizou “Mariana Pineda”, a partir de Federico García Lorca, configuram um percurso fragmentário, marginal aos modelos dominantes do teatro português da época.





Vaga Luz dá continuidade a um primeiro objeto teatral centrado nessa encenação de “Mariana Pineda”, reconstruída a partir de documentação de arquivo e da partitura musical de Jorge Peixinho. Nesta nova criação, o foco desloca-se para um movimento de introspeção e análise. Trata-se de explorar, através da cena, as condições de possibilidade de um “teatro por vir” tal como Fiama o pensou, um teatro atento aos sentidos, à escuta, ao tempo e à densidade do pensamento poético.

Entre conferência performativa, evocação documental e criação cénica contemporânea, o espetáculo propõe uma reflexão crítica sobre herança, arquivo e transmissão, convocando a figura de Fiama não como objeto biográfico, mas como campo ativo de pensamento teatral.
Próximas apresentações
- 23 e 24 de janeiro — Cineteatro Joaquim de Almeida, Montijo
- 6 e 7 de fevereiro — CAEP – Centro de Artes e Espetáculos de Portalegre
- 20 de fevereiro — Teatro-Cine de Torres Vedras
- 5 e 6 de março — Teatro-Cinema de Ponte de Sor
- 14 de março — Fórum Luísa Todi, Setúbal
- 2 de maio — Cineteatro Louletano, Loulé
FICHA TÉCNICA
UMA CRIAÇÃO UMCOLETIVO (Bruno Caracol, Cátia Terrinca, João P. Nunes, Luís Eduardo Graça, Raquel Pedro, Ricardo Boléo, Rui Salabarda e Sara Santos) COM O CONTRIBUTO DE Daniel Gorjão e João Nuno Cruz COPRODUÇÃO CAE Portalegre, Fórum Luísa Todi, Teatro Cine de Torres Vedras, Cineteatro Louletano, Teatro Cinema de Ponte de Sor, Cinema Teatro Joaquim d’ Almeida e São Luiz Teatro Municipal /// UMCOLETIVO é uma estrutura de cruzamentos disciplinares com apoio sustentado da DGArtes e dos municípios de Portalegre, Ponte de Sor e Elvas.

