por Susana Jacobetty
fotografia João Bettencourt Bacelar


O Museu Nacional da Música inaugurou a 22 de novembro, Dia de Santa Cecília padroeira dos Músicos, a sua nova sede no Real Edifício de Mafra, marcando o fim de décadas de precariedade espacial e a afirmação definitiva de um património único na Europa. Instalada na ala norte do palácio, a nova casa oferece dois mil metros de percurso expositivo dentro de um projeto museográfico que privilegia o som como matéria histórica, não apenas como objeto.


Edward Ayres de Abreu, Diretor do Museu Nacional da Música

“Estar no Museu Nacional de Mafra, é uma dupla oportunidade para celebrar a nossa coleção mas também para celebrar o património mundial, o Real Edifício de Mafra. É uma oportunidade de redescobrir a música, mediante múltiplas perspectivas e diversas formas de experimentar o som”.
Edward Ayres de Abreu, Diretor do Museu Nacional da Música









O acervo, que percorre séculos de construção instrumental, inclui peças classificadas como Tesouro Nacional, como o cravo de Joaquim José Antunes, instrumentos da luteria europeia de excelência, Taskin, Eichentopf, Stradivari e, objetos de forte carga simbólica, como o piano Boisselot que acompanhou Liszt em Lisboa, os violoncelos do rei D. Luís I ou o tambor islãmico do século XII cedido pelo Museu Municipal de Silves, o instrumento mais antigo do museu e, um dos mais antigos do país. A narrativa expositiva rompe com a organização tradicional e propõe uma leitura da música como prática social, ritual e política, articulando instrumentos, documentos e recursos multissensoriais.






Tambor. século XII, Almedina de Silb (Silves). Peça mais antiga do Museu
“O nosso grande objetivo com este novo museu é tornar a coleção dinâmica, viva e representativa do que é a música em Portugal, hoje em dia e em geral. Por isso somos um museu nacional. Os museus de música tradicionalmente e por razões históricas, são museus que privilegiam o aspeto tecnológico do instrumento, já há vários museus que contrariam este ponto de partida. Neste museu chegámos à conclusão que esse lado interessa pouco, procurámos cruzar e pôr em diálogo instrumentos aparentemente contrastantes, diferentes no tempo e no espaço, porque a partir de alguma perspectiva aqueles dois instrumentos juntos fazem sentido”.
Edward Ayres de Abreu




Cravo que pertenceu ao rei Luís XVI de França. No século XX o Museu de Turim ofereceu-o ao Rei Humberto de Itália, que o trouxe para Potugal quando cá esteve exilado. Oferevcendo-o mais tarde à marquesa de Cadaval, que posteriormente o colocou à venda, tendo sido adquirido nessa época pelo estado português.






“O acervo do Museu Nacional da Música é uma das mais ricas coleções europeias de instrumentos musicais que reúne peças únicas e tesouros nacionais que contam a história da música em Portugal e no mundo. Este museu abre com uma visão que valoriza a investigação, a mediação cultural e o contacto direto com a comunidade, num dos mais notáveis e, já agora bonitos, monumentos barrocos da europa classificados como Património Mundial da UNESCO”.
Margarida Balseiro Lopes, Ministra da Cultura, Juventude e Desporto

Margarida Balseiro Lopes, Ministra da Cultura, Juventude e Desporto e Alexandre Nobre Pais, Presidente do Conselho de Administração da Museus e monumentos E.P.E

“Se todos os museus lidam com linguagens que precisam de tradução, a música é algo que não tem tradução, Sente-se, vibra-se. Se há um museu que é verdadeiramente universal na dimensão de passar a mensagem ao público, é este. Desde a forma como está montado, à forma como permite que todas as pessoas possam chegar aos instrumentos, ouvir os seus sons, é de facto uma experiência que considero extraordinária”.
Alexandre Nobre Pais, Presidente do Conselho de Administração da Museus e Monumentos de Portugal, E.P.E.

Hugo Moreira Luís, Presidente da Câmara Municipal de Mafra

Margarida Balseiro Lopes, Ministra da Cultura, Juventude e Desporto
“A cultura é um serviço público, é basilar e não é um acessório. Este conjunto vem reforçar ainda mais a história de Mafra ligada à música. Temos um conjunto de seis órgãos na basílica que são únicos no mundo, assim como um conjunto de carrilhões, agora o Museu Nacional da Música, iremos ter em 2026, o Pólo de Ciências Musicais e o Arquivo Nacional de Som. Todo um conjunto dedicado à música que vai tornar Mafra muito mais grandiosa e aberta ao público”.
Hugo Moreira Luís, Presidente da Câmara Municipal de Mafra


Com entrada gratuita até ao final do mês de Novembro de 2025, mediante reserva e um compromisso robusto com a acessibilidade, o museu surge renovado não apenas na forma, mas na ambição: tornar-se um centro vivo de interpretação da memória sonora do país. Um regresso esperado, que devolve à música portuguesa um palco à altura da sua história.

