OS MOINHOS DE PONTE DE SOR

Os moinhos, sobretudo de água, marcam a paisagem de Ponte de Sor desde, pelo menos, meados do século XIII e mantiveram um papel económico e social ativo até à segunda metade do século XX. A referência mais antiga de que dispomos à existência de moinhos nos cursos de água da região encontra-se numa carta régia de 1256, pela qual D. Afonso III confirma ao seu Chanceler a doação de uns moinhos nas margens da Ribeira de Sor. Depois de várias referências dos séculos XVI e XVII, as Memórias Paroquiais de 1758 de Ponte de Sor e de Montargil dão conta da existência de mais de uma dezena de moinhos na Ribeira de Sor e seus afluentes. Os moinhos laboravam ainda na segunda metade do século XX (45 moinhos de água em 1952), não obstante a chegada ao território da moagem industrial, em especial a Fábrica de Moagem de Cereais e Descasque de Arroz de Ponte de Sor, construída em 1920.

Estes equipamentos inserem-se numa paisagem natural em parte classificada, o Sítio de Interesse Comunitário de Cabeção, integrado na Rede Natura 2000 e essencialmente constituído por montados de sobro e alguns montados de azinho, para além de bosques ripícolas, sobretudo salgueirais; o Sítio alberga inúmeras espécies de fauna ligadas aos diversos habitats em presença.

Embora com muito menos expressão do que os de água, existiram também no território do concelho moinhos de vento, em Montargil, Galveias e, com especial destaque, Foros de Arrão, onde foi recentemente inaugurado o Centro Interpretativo de Molinologia de Foros de Arrão. Aqui e no Museu Municipal de Ponte de Sor, que possui um Núcleo no Moinho de Água da Zona Ribeirinha, procura-se a valorização da história e do património dos moinhos no território, através de um contínuo trabalho de investigação e da aposta numa forte dimensão comunitária.

moinho de vento de Foros do Arrão. Fotografia Susana Jacobetty, 2025