Mily Possoz. Uma Poética do Espaço

Inaugurou no Museu Nacional de Arte Contemporânea a 1 de Outubro de 2025 a exposição Mily Possoz. Uma Poética do Espaço, com curadoria de Emília Ferreira, que prossegue a via de investigação dos artistas modernistas menos estudados e presentes nas coleções do MNAC e do Millennium bcp.

Pintora, ilustradora e gravadora, Mily Possoz (Lisboa, 1888–1968) foi uma das figuras centrais do modernismo português, distinguindo-se pela capacidade de transformar temas quotidianos em composições de linhas depuradas, fortes contrastes cromáticosbe uma expressividade singular. A exposição, pretende-se não apenas revisitar Mily Possoz, mas também contextualizar a sua produção, desfazer equívocos persistentes e revelar a riqueza de uma obra marcada pela modernidade e pela poesia do espaço.

Esta mostra constitui-se como a maior e mais ambiciosa apresentação da obra da artista realizada até hoje e estará repartida por três espaços – Galeria Millennium bcp no MNAC, MU.SA – Museu das Artes de Sintra e NOVA Medical School | Health Campus, em Cascais – reunindo perto de duas centenas de obras – desenho, aguarela, gravura, pintura, ilustração – provenientes da coleção do MNAC, do Millennium bcp, da Fundação Calouste Gulbenkian – Centro de Arte Moderna, da Fundação GALP, da Vista Alegre, além de obras inéditas da família e de várias coleções particulares, nomeadamente do Hotel Tivoli, e Hotel de Seteais.

O MNAC apresenta o primeiro núcleo da exposição que percorre a sua formação e primeiros passos artísticos, dos estudos na Académie de la Grande Chaumière, em Paris (a partir de 1906), até à importante encomenda de 1940 para a Exposição do Mundo Português. Entre viagens e estadias em Paris, Düsseldorf e Bruxelas, a artista desenvolveu, nas palavras da curadora: “uma linguagem própria, assente num cromatismo arrojado, no gosto pelo movimento e na experimentação de técnicas”.

SOBRE MILY POSSOZ

Nascida em Lisboa, a mesma cidade onde viria a morrer poucos meses antes de completar os 80 anos, traída pelo coração, teria um entorno familiar propício ao aparecimento e ao cultivar da sua vocação artística, apoiada por mestres de reputada exigência e ampliada com estudos e viagens pela Europa. Contudo, e apesar de a sua obra estar representada em várias e importantes colecções públicas e privadas — e, portanto, acessível aos investigadores—, em Portugal e no estrangeiro (de que se destacam a Bibliothèque Royale de Bruxelles, uma dezena de museus nos Estados Unidos ou a Biblioteca Nacional de França, entre outros), permanecem sobre ela visões desligadas da observação e ancoradas em pressupostos desinformados.

Uma das criadoras do modernismo português, ao longo da sua carreira Mily Possoz recebeu vários prémios — nacionais e internacionais —, expôs em diversos países, individual e colectivamente, com artistas reputados da cena internacional. Em termos nacionais, foi também uma das criadoras que mais arduamente se dedicou a trilhar um caminho profissional e a deixá-lo expresso na sua obra. Pintora, ilustradora, gravadora e criadora de um universo autoral, visualmente informado e estruturalmente contra- corrente — embora, com frequência, não tenha sido assim percebido pela crítica e pela historiografia — Mily partilha com outras artistas suas contemporâneas não o carácter “doce, feérico e onírico” que se tem insistido em ler nas suas obras, mas uma visão incisiva, atrevida, satírica e lúdica do mundo, oferecendo ao espectador um espelho peculiar, revelador de uma vivência com ênfase num universal feminino — ou seja, assumindo o seu ponto de vista como um novo normativo.”

Excerto do livro “Reapresentar Mily Possoz”, de Emília Ferreira que será publicado brevemente

DATAS:
MNAC, de 1 de Outubro de 2025 a 1 de Fevereiro de 2026;
MU.SA, Sintra, de 03 de Outubro de 2025 a 1 de Fevereiro de 2026;
NOVA Medical School -– Advanced Health Education | Health Campus”, Cascais, de 23
de Outubro a 1 de Fevereiro de 2026.