POR SUSANA JACOBETTY
FOTOGRAFIA JOÃO BETTENCOURT BACELAR


CARTA PARA O BISPO-CONDE DE COIMBRA, 1 DE SETEMBRO DE 1895
CAVALHEIRO, RODRIGUES [ORG.] (1948). CARTAS DE SUA MAGESTADE A RAINHA SENHORA D. AMELIA A D. MANUEL DE BASTOS PINA,
BISPO-CONDE DE COIMBRA LISBOA: LIVRARIA CLASSICA EDITORA

O Paço Ducal de Vila Viçosa acolhe até 30 de agosto de 2026, a exposição Amélia de Orléans e Bragança: o espólio da Rainha, organizada pela Fundação da Casa de Bragança no âmbito das celebrações do 160.º aniversário do nascimento de D. Amélia, última rainha de Portugal. À inauguração, que aconteceu dia 20 de setembro, seguiu-se um concerto solene na Igreja dos Agostinhos, com o barítono Rui de Luna e a Banda Sinfónica da Armada.


Muito mais do que um exercício comemorativo, a exposição pretende revisitar a complexa figura de D. Amélia, mulher de cultura refinada, sensibilidade artística e forte vocação filantrópica, que deixou uma marca indelével na vida cultural e social portuguesa da viragem do século XIX para o XX.
O espólio agora apresentado ao público é revelador dessa multiplicidade de dimensões. De patrona das artes a protetora das causas sociais, de mãe e mulher do rei, à figura pública que se tornou símbolo de modernidade e cosmopolitismo, sem nunca romper o vínculo afetivo com Vila Viçosa.

Ao associar a inauguração da mostra a um concerto solene, a Fundação da Casa de Bragança reforça o caráter plural da homenagem. A música ecoa como extensão da memória, acrescentando-lhe uma dimensão viva e contemporânea. Deste modo, a programação não se limita a evocar o passado, mas inscreve-se no presente, convidando os visitantes a repensar o lugar de D. Amélia na história e na cultura nacionais.

“Esta exposição resulta, essencialmente, de um espólio que temos no Museu-Biblioteca da Casa de Bragança e procura interpelar também as várias facetas da D. Amélia: sobretudo a faceta artística e de mecenas, mas também a de filantropa, e a sua dimensão muito mais pessoal — como mãe, como mulher. Por isso, acaba por convidar os visitantes a construírem as suas próprias narrativas e a sua própria representação do legado e da memória biográfica desta mulher, que soube ser, simultaneamente, universal, sem perder este vínculo ao local, nomeadamente a Vila Viçosa”.
Ana Saraiva, Diretora do Museu-Biblioteca da Casa de Bragança


D. Amélia de Orléans e Bragança, nasceu a 28 de setembro de 1865, em Twickenham (Inglaterra), casou com o rei D. Carlos I, em 1886, ficando com o título de Rainha consorte de Portugal (1889-1908) e Rainha-viúva após o regicídio de 1908. No exílio, após a implantação da República, viveu em França, regressando pontualmente a Portugal. Faleceu a 25 de outubro de 1951, em Le Chesnay, França. Está sepultada no Panteão dos Braganças, no Convento de São Vicente de Fora, em Lisboa.
Legado cultural: mecenas das artes, fundadora de instituições culturais e de apoio social
Filantropia: apoio a hospitais, orfanatos e programas de saúde pública










A exposição evoca o legado de D. Amélia no Paço Ducal de Vila Viçosa.
Uma rainha entre a arte, a filantropia e a memória.


