
Ocupando o trecho do vale do Ave na zona mais a norte do Concelho de Guimarães, os dois sítios arqueológicos conhecidos como Citânia de Briteiros e Castro de Sabroso dominam a paisagem e a história ancestral da região. Num território determinante no período da fundação da nacionalidade, destacam-se estes dois locais que, mais de mil anos antes, terão estado também no centro das dinâmicas históricas do fim da Idade do Ferro, o tempo dos castros e dos primeiros contactos com o Império Romano.

Castro de Sabroso. Fotografia Gonçalo Cruz / Sociedade Martins Sarmento
Citânia de Briteiros está implantada num ponto estrategicamente mais importante, comparativamente com o seu irmão, Castro de Sabroso, por dominar visualmente um território maior e por ter uma maior área disponível para construção de habitações e fortificações. Um amplo sistema defensivo de quatro muralhas e vários fossos protegiam um denso povoado de mais de vinte hectares. No seu interior foram identificados arruamentos paralelos e perpendiculares, com pavimentos em pedra, diferentes bairros habitacionais, dois edifícios de banhos e os vestígios do que seria o centro de poder da comunidade.

Castro de Sabroso. Fotografia Gonçalo Cruz / Sociedade Martins Sarmento
Conhecida agora como Casa do Conselho, seria um amplo edifício que ainda hoje conserva o banco em pedra onde os conselheiros se sentavam. Destaca-se também um dos balneários, utilizado para banhos de vapor e de água fria, que conserva a peça conhecida como Pedra Formosa, parede feita com uma só pedra, que preserva a decoração original. Na zona explorada, foram identificadas cerca de 110 casas de família, cada uma formada por diferentes espaços, que nos sugere a dimensão extraordinária deste povoado.
Com uma área muito mais pequena, Castro de Sabroso localiza-se num outeiro mais baixo, na vizinhança próxima da Citânia, que funcionava como posto avançado, permitindo avistar zonas do território que não eram visíveis do povoado maior. Sabroso destaca-se sobretudo pela sua impressionante muralha de granito, com mais de quatro metros de espessura, e preservando, em alguns pontos, quase cinco metros de altura, o que é notável numa construção feita há mais de dois mil anos.

Citânia de Briteiros. Fotografia Gonçalo Cruz, / Sociedade Martins Sarmento
Os dois sítios arqueológicos terão testemunhado períodos de instabilidade, escaramuças, ataques, incêndios, assim como o que parece ter sido uma pujante dinâmica económica, visível na qualidade das construções e mesmo na metalurgia e no trabalho de metais preciosos, como o ouro. A integração definitiva no Império Romano deu-se na época de César Augusto, nos finais do século I antes de Cristo, o que viria a motivar o seu abandono progressivo.
Os vestígios destes dois povoados castrejos, classificados como Monumentos Nacionais, podem hoje ser visitados, contando com um complemento importante, o Museu da Cultura Castreja, instalado na antiga casa de campo de Francisco Martins Sarmento, o arqueólogo vimaranense que se dedicou a estudar a Citânia e Sabroso, a partir do século XIX.


