

Só descobri o enorme talento fotográfico da minha avó materna, Helena Corrêa de Barros (1910-2000), oito anos após a sua morte. Numa exposição realizada entre outubro de 2018 e fevereiro de 2019, magistralmente organizada pelo Arquivo Fotográfico Municipal de Lisboa, foi depositada a sua obra, descoberta pelos filhos depois do seu desaparecimento.


Além do fascínio dessa descoberta – a artista, as viagens, as caras e os sítios, fiquei particularmente impressionado com a sua habilidade e sensibilidade para capturar a realidade portuguesa, especialmente os trabalhadores e comunidades mais pobres, como também a capacidade de transmitir a grande beleza das coisas simples.
Apesar de ter vivido numa realidade confortável, ela percorreu o país e registou a vida das pessoas comuns, e mesmo num contexto dominado por homens, fez parte do fechado círculo da fotografia lisboeta. Na altura, a exposição revelou uma pessoa que, afinal, eu não conhecia tão bem como pensava. O seu trabalho está agora preservado e disponível ao público, o que é muito gratificante para todos os seus descendentes.


Fotografou desde os catorze anos até à sua morte. Na década de 1950, orientou o seu trabalho para a fotografia de salão, tendo participado em concursos e exposições, quer em Portugal, quer no estrangeiro. As fotografias abordam temas como o mar, a paisagem e o quotidiano, assuntos sempre presentes nos salões de fotografia. Inclui também fotografias de família, de passeios e viagens, possuindo imagens a cores até 1973.

Encumeada, Madeira 1971

Hong Kong 1970

Chegada do Presidente Américo Tomás 1963

Suiça 1968

Suiça 1968

Londres 1951-3

Londres 1951-3

Tomar 1954

Japão 1970-4

Ponte sobre o Tejo antes da inauguração 1966
Helena Corrêa de Barros de máquina fotografica

A MAGAZINE 13

