
por Susana Jacobetty
Camilo Castelo Branco nasceu em Lisboa em 1825. Órfão de mãe aos 18 meses e de pai aos 10 anos, foi viver com uma tia em Vila Real. Casou-se jovem, teve uma filha, mas abandonou a família para estudar Medicina no Porto. Entregou-se à vida boémia e à escrita. Nos anos 1840 iniciou a sua produção literária e teve outra filha. Em 1850 apaixonou-se por Ana Plácido, mulher casada. O escândalo levou-o à prisão. Após a absolvição, viveram juntos em São Miguel de Seide, atual Casa-Museu Camilo Castelo Branco.

ilustração Francisco Damasceno
Para Jorge Sobrado, vice-presidente da CCDR NORTE, Camilo é uma figura de modernidade: sarcástico, passional, fragmentado, um espelho do homem contemporâneo. No amor, no humor, no sofrimento, traduz a alma humana. Escrevia com sarcasmo corrosivo sobre os grandes e pequenos dramas da existência. A intensidade das suas paixões e da sua escrita tornaram-no um génio singular.
Descrito por Fialho de Almeida como um “rebelde sem repouso”, Camilo foi errante cultural e geograficamente. Escreveu entre 160 e 200 obras, viveu exclusivamente da escrita e criou um corpus literário denso, profundo, por vezes quase inumano. A sua riqueza lexical multiplica por dez a de outros autores da sua geração. Foi um mestre da língua portuguesa e da alma nortenha. As celebrações do seu bicentenário promovem o reencontro com a sua obra. O objetivo: conquistar novos leitores. Entre as iniciativas apoiadas pela CCDR Norte estão teatro, ópera, dança, cinema, reedições, um dicionário toponímico e sessões em prisões. Em Santa Cruz do Bispo, mulheres reclusas leem Memórias do Cárcere, escrita na prisão do Porto.
Camilo é também redescoberto através do sarcasmo e do humor, que servem como porta de entrada à sua literatura. Leitores contemporâneos são convidados a mergulhar numa personalidade complexa e numa escrita genial.
Jorge Sobrado reencontrou Camilo pela voz de Agustina Bessa-Luís, cuja obra está repleta de referências ao autor. Para ele, Camilo e Agustina são cartógrafos do Norte: exploram paisagens, temperamentos e o génio popular do Porto, do Douro e do Minho. Camilo, pela sua intensidade, permanece como figura maior da cultura portuguesa, intemporal e profundamente humana.
SUGESTÕES DE LEITURA CAMILIANA POR JORGE SOBRADO

1. Sarcástico, divertido, com uma película política e contradições humanas.
2. Caricatura dos cânones românticos e o confronto com outra relação amorosa, mais interessante, mais humana, mais carnal.
3. Novela gótica, divertida, crime sanguinário, sensacionalista e moralizante.
4. Autobiográfico, emocional. conjunto de textos narrados a partir do Bom Jesus do Monte em Braga.
5. Divertido e político, fala sobre as contradições do ser político.


