Museu Botânico de Beja

POR LUÍS MENDONÇA DE CARVALHO

O Museu Botânico do Instituto Politécnico de Beja, fundado em 2002, é um centro de cultura e investigação científica, que desenvolve estudos e outras atividades na área da etnobotânica, ou seja, do uso cultural das plantas pelos humanos. A sua eclética coleção inclui cerca de quatro mil objetos e está organizada em distintas secções: artefactos, matérias-primas e objetos naturais, para além de uma coleção de fotografias históricas. Nesta última, está integrada aquela que poderá ser a maior coleção fotográfica de violetas [Viola odorata L.] e violetas-de-parma [Viola alba Besser subsp. dehnhardtii (Ten.) W.Becker], a nível mundial, com cerca de 950 fotos, maioritariamente da primeira metade do século xx.

A coleção de artefactos portugueses contemporâneos integra objetos culturalmente significativos das diversas regiões nacionais, nomeadamente, bordados feitos com palha de trigo, tapetes de folhas de dragoeiro e esculturas de miolo de figueira (Açores), cestos de cana e cadeiras de tesoura (Algarve), tarros e cocharros (Alentejo), bordados de casca de castanha (Marvão), palitos de Lorvão, cestos de Gonçalo, escrinhos de Trás- -os-Montes, lenços dos namorados (Minho) entre muitos outros.

Entre os objetos naturais exóticos, encontra-se um notável conjunto de cocos-do-mar – as maiores sementes do reino vegetal –, que, no passado, tinham um valor próximo do atribuído ao ouro, porque se desconhecia a sua origem e, especialmente, devido à forma sensual que apresentam.

O Museu Botânico é a instituição onde se encontra instalada a Cátedra UNESCO em Etnobotânica e Salvaguarda do Património de Origem Vegetal (2023), a única da rede mundial de cátedras UNESCO que tem as plantas como eixo estruturante da sua ação.