
Ilustração: Henrique Ok…
Fotografia: João Bettencourt Bacelar

Criado em 2009, o Laboratório Hercules é um centro de investigação da Universidade de Évora com pertinência mundial. Procura a valorização do património cultural, apostando na integração de metodologias e ferramentas das ciências físicas e da vida em abordagens interdisciplinares. Dedica-se ao estudo material e histórico de diferentes elementos do património cultural, nomeadamente, artefactos arqueológicos como cerâmica, vidro, metais e materiais orgânicos, objetos de arte, como pintura de cavalete e escultura policromada, metais, têxteis históricos e manuscritos antigos e ao património edificado que inclui as argamassas, pedra, pinturas murais e azulejos




Estes estudos têm dois objetivos fundamentais: a valorização do património cultural, através da procura de novos materiais e metodologias para a realização de melhores ações de conservação e restauro e a valorização pelo conhecimento, como por exemplo pela extração de componentes orgânicas de cerâmicas, no sentido de se apurar qual a utilização primordial dos objetos. Aspeto que não é possível tratar sem estudos laboratoriais complexos. Neste momento, o Laboratório Hercules desenvolve simultaneamente diversos estudos, em diferentes partes do mundo.

Por exemplo, a investigadora Catarina Miguel, especialista em iluminuras medievais portuguesas do século XII-XIII, tendo desenvolvido um investigação sobre caracterização das tintas dos manuscritos do início da fundação de Portugal, os manuscritos de Alcobaça, iniciou um estudo no Laboratório Hercules, que consiste na comparação dos materiais utilizados para pintar esses manuscritos, com as iluminuras da grande Bíblia de Claraval e com os manuscritos do Vaticano.
A investigadora Anne-France Maurer encontra-se a desenvolver um estudo sobre cristãos e muçulmanos no sul de Portugal nos últimos dois mil anos e, através deste estudo tem sido possível verificar a mobilidade da população durante a Reconquista, porque os dentes e os ossos transportam uma assinatura geoquímica característica de cada lugar. Uma das suas recentes descobertas foi que a população islâmica manteve-se e conviveu com os conquistadores que se deslocaram do norte para povoar o sul.


estudo sobre cristãos e muçulmanos no sul de Portugal nos últimos dois mil anos
A japonesa Mizuki Takahashi, que se encontra a fazer mestrado no Laboratório Hercules, está neste momento a estudar os vestígios de pó de cerâmica em argamassas que revelam a utilização de uma técnica grega, adoptada pelos romanos, com o objetivo de criar uma reação química que aumente a qualidade deste material de construção. Curiosamente esta técnica perdeu-se com a queda do império romano, mas voltou a surgir com o Renascimento.


Lâmina de delgada de argamassa romana em microscopia de luz polarizada.
Outro estudo a ser desenvolvido por uma investigadora do Laboratório Hercules, Milene Gil, é o Projeto Almada, que consiste no estudo das tintas utilizadas em vários painéis criados pelo artista no século XX.

A edição N7 da A MAGAZINE tem como tema central a Universidade de Évora, que celebra 50 anos da sua reimplementação.



