
Quando imaginamos o futuro, pensamos em juventude e tecnologia. Mas Ivone Machado, artista visual e pintora realista, desafia essa visão com a sua primeira exposição a solo, “DOLORES. A Cor da Sabedoria – um Retrato do Futuro”. Esta série não só reimagina o envelhecimento feminino no ano 2051 – quando a própria artista terá 80 anos – como celebra a força, a resiliência e a riqueza de experiência que o tempo oferece.
Com mais de duas décadas de experiência em design e publicidade, Ivone Machado dedica-se agora integralmente às artes visuais, destacando-se na pintura pela sua técnica apurada em aguarela contemporânea, uma das suas maiores paixões, e pelo seu interesse em explorar novas texturas com óleo. Esta exposição marca um ponto de viragem na sua carreira, apresentando uma narrativa visual que questiona os estereótipos do envelhecimento e celebra a complexidade da sabedoria feminina.


A exposição estará patente em dois espaços: Módulo Twist Gallery, na Rua Capitão Leitão, 70, Marvila, Lisboa, de 23 de maio a 8 de junho de 2025, com horário de terça-feira a domingo, das 15h às 19h, e Atmosfera m, na Rua Castilho, 5, Lisboa, de 17 de julho a 28 de agosto de 2025, com horário de segunda-feira a sexta-feira, das 9h às 17h. Visitas fora destes horários disponíveis mediante marcação.


Sobre a Série ‘DOLORES. A Cor da Sabedoria – um Retrato do Futuro’
Cada pintura é uma celebração da força interior e da resiliência feminina, capturando nuances subtis que refletem a profundidade e a singularidade de cada figura. As 11 obras desta série representam personalidades únicas, simbolizadas por pigmentos puros de alta qualidade e especiais – como Amethyst Genuine, Kyanite Genuine e Rhodonite Genuine – que dão nome a cada peça, refletindo a essência e o carácter distinto de cada personagem. Entre elas, destaca-se DOLORES Quinacridone Deep Gold, uma obra que celebra a diversidade e representa uma mulher negra, num tributo à origem angolana da artista.
A pintura em aguarela realista e contemporânea a este nível exige precisão absoluta e controlo total da água e pigmento. Cada camada de cor é aplicada com intenção e segurança, pois a técnica não permite correções, exigindo uma compreensão profunda do comportamento dos materiais para criar detalhes minuciosos e efeitos atmosféricos que captam a essência das suas personagens.
A série é também uma homenagem à consultora de arte Dolores Vieira, atualmente com 80 anos, que inspirou a artista a explorar novas dimensões na sua prática. Entre os textos que acompanham a exposição está “DOLORES: A Alquimia do Tempo”, escrito por Mariana Bienhachewski Portela. Num dos seus textos, Mariana reflete: ‘Cada DOLORES é um pergaminho de carne e pigmento onde se inscreve a verdade mais perturbadora: envelhecer não é perder a vitalidade, mas dulcificar outras dimensões de ser.’
Ivone Machado pretende, com esta exposição, questionar o que significa envelhecer num futuro cada vez mais tecnológico, e como a cor pode traduzir a essência de uma vida bem vivida.


