
Florbela Espanca fotografada por João Maria Espanca.Arquivo Joana Espanca Bacelar
As pessoas criam o ambiente e, por sua vez, o ambiente influência as pessoas. Sabores e saberes locais, tradições, mitos, paisagens formam a impressão digital de uma região e, numa era da globalização, valorizar a singularidade local é de maior importância. Nascidos na zona ou não, são vários os escritoresque escolheram o Alentejo, o Ribatejo e a Lezíriado Tejo como ambiente, e em alguns casos personagem,das suas obras, fazendo uso das pessoas, do contexto histórico e social e das paisagens que os definem. Graças a este património de autores e obrasde referência, tem surgido um vasto desenvolvimentode propostas para uma rota literária do Alentejo e Ribatejo.

Literatura envolta com artes, tecnologia, natureza, vinhos e gastronomia é a base da programação do festival LiterÁREA, que irá acontecer pela primeira vez durante três dias, de 13 a 15 de Dezembro, com o objetivo de promover a riqueza literária da região, através de iniciativas culturias e roteiros literários, ligando sempre os visitantes à região.

Ilustração Gabriel Sousa
AVIS – Espólio do escritor Mario de Saa (1893-1971), doado pelo escritor em 1967, na condição de ficar acessível ao público. Consistia em: uma casa, a sua biblioteca, o arquivo e o acervo arqueológico. O propósito deste espaço é esse,a Exposição criada no âmbito do turismo literário, “Revisitar Mário Saa, o Pensamento, a Obra, o Homem e a relação com os Espaços”.
MARVÃO – Conservador do registo civil, Branquinho da Fonseca (1905-1974), tendo-se inspirado na vila para escrever o conto “O conspirador”, existe a possibilidade de fazer dois percursos com base nesta obra, no entanto ainda não estão publicados.
CASTELO DE VIDE – Onde viveu Francisco Bugalho (1905-1949). Adotou o Alentejo, retratando na sua obra os ambientes e as figuras típicas do meio rural.
ELVAS – Projeto Elvas – Chave do Reino. Criação de três Rotas de Escritores e Obras Literárias: Rota de Escritor – António Sardinha (1887 – 1925), Rota de Obra Literária – A Cruz do Concorvado de Camilo Castelo Branco (1825-1890), Rotade Obra Literária – O hissope de António Dinis da Cruz e Silva (1731-1799).
SOUSEL – Biblioteca Afonso Cruz (1971/…). Residências artísticas com nove escritores, que escreverem dezoito histórias sobre dezoito locaisdo concelho. Entre os envolvidos neste projeto: Álvaro Lúcio (1941), Rui Zink (1961), Isabel Figueiredo (1963), José Luís Peixoto (1974), Patricia Portela (1974), Sandro William Junqueira (1974), João Tordo (1975), Joana Bertholo (1982), Adélia Carvalho.
GALVEIAS – Concelho de Ponte de Sor, freguesia de onde é natural José Luis Peixoto. Centro de Interpretação deste escritor (dedicado à sua vida, obra, e à sua internacionalização), e um roteiro que dá a conhecer a freguesia, tendo como base o livro “Galveias”.
PAVIA – No concelho de Mora, localidade onde o escritor Fernando Namora (1919-1989) exerceu medicina entre 1946 e 1951. A obra “O Trigo e o Joio” foram escritos neste período. Responsável pela imagem gráfica de um número significativo de romances neo-realista, nomeadamente nas obras de: Fernando Namora, Alves Redol, Antunes da Silva e Domingos Monteiro, foi o pintor/ilustrador Manuel Ribeiro de Pavia (1907/1957). O concelho conta ainda com a Casa Museu Manuel Ribeiro de Pavia.
MONTEMOR-O-NOVO – Neste concelho há a referir o trabalho desenvolvido pelo município em torno da obra “Levantado do Chão”, romance fundamental de José Saramago (1922-2010). Foi criada a autodenominada “A mais pequena biblioteca do mundo”
ÉVORA – Eça de Queiroz (1845-1900) e Virgílio Ferreira (1916-1996) foram os maiores vultos da literatura portuguesa que residiram na cidade, no caso deste último, referente à obra “Aparição”, romance que se desenrola na cidade.
REDONDO – Trabalho de divulgação e evocação do autor Hernâni Cidade (1887-1975), natural desse concelho.
VILA VIÇOSA – Circuito Florbela Espanca (1894- 1930), que engloba vários pontos de interesse florbelianos em Vila Viçosa, com destaque para a Casa-Museu Florbela Espanca.
ALVITO – Vida e obra de Raul de Carvalho (1920-1984), poeta considerado um dos mais importantes do século XX.
CUBA – Museu literário “Casa Fialho d´Almeida” (1857-1911), localizado na casa onde o escritor terá residido no final do século XIX.
BEJA – Berço de vários autores e, rerferência de diferentes movimentos literários. Beja optou por valorizar quatro figuras maiores: Al-Mu´tamid (1040-1095), o rei poeta; Mariana Alcoforado (1640-1723), a freira a quem se atribuí a autoria das “Cartas Portuguesas”; Manuel Ribeiro (1878- 1941) e Mario Beirão (1890-1965), poeta Mural do artista Vhils, com rosto de duas figuras emblemática da literatura portuguesa, e alentejanos, Florbela Espanca e Mario Beirão.
MOURA – Urbano Tavares Rodrigues (1923-2013), viveu a sua infância no Alentejo e dedicou uma grande parte da sua obra à região e às suas gentes. Também O poeta espanhol Miguel Hernandez,(1910-1942), que fugindo do regime franquista, entrou clandestinamente em Portugal por esta vila.
SERPA – Palácio Ficalho, residência do Conde de Ficalho (1837-1903). Este autor fazia parte de “Os Vencidosda Vida”, grupo de tertúlia de personalidades da cultura e política, em que se destacavam Eça de Queiroz, Ramalho Ortigão e Guerra Junqueiro.
SANTIAGO DO CACÉM
– berço do escritor Manuel da Fonseca (1913-1993), associado ao Neorrealismo, do qual Cerromaior que nos dá um retrato de uma sociedade rural, fechada e fortemente hierarquizada, é um exemplo. A proposta é um roteiro denominado “Viagem por Cerromaior – Passeio Histórico e Literário por Santigo do Cacém”, é uma visita guiada em que nos diferentes locais de paragem fazem-se leituras da obra.
SANTARÉM – A obra “Viagens na minha terra”, de Almeida Garret (1799-1854). Destacando a Casa Museu Passos Canavarro, casa na época de Passos Manuel, político e amigo do autor.
CARTAXO – Alves Redol (1911-1969), dedica uma parte importante da sua obra a denunciar as condições de vida das gentes do Ribatejo, gaibéus, avieiros, trabalhadores e explorados.
SALVATERRA DE MAGOS – Alves Redol (1911-1969) faz um ensaio etnográfico sobre a aldeia de Glória, no Ribatejo.
GOLEGÃ – Azinhaga , onde nasceu José Saramago (1922-2010). Na antiga escola primária, está sedeada uma delegação da Fundação José Saramago.
RIO MAIOR – Casa Museu Ruy Belo (1933-1978), a ser instalada na casa onde nasceu, na aldeia de S. João da Ribeira. Roteiro Ruy Belo que permita a descoberta dos lugares, com visitas guiadas.

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