

O que atualmente conhecemos como bordado de Guimarães descende do chamado bordado rico, que se terá desenvolvido em meados do século XVI, a par de um renovado fulgir das artes na Europa do Renascimento. O apuramento da técnica de execução de pontos e da composição do desenho, que hoje apreciamos no bordado de Guimarães, foi o resultado do trabalho desenvolvido ao longo de séculos; marcado, ainda, pelo gosto de cada época. Como, infelizmente, não chegaram até nós exemplares mais antigos do que os do século XIX, foi convencionado situar o começo da estabilização das características tipológicas do bordado de Guimarães apenas após este período.

Considera-se que é a partir de meados do século XX que se começa a definir o bordado de Guimarães, que hoje se caracteriza pela escolha de composições geralmente simétricas, contribuindo estas para o destaque dos motivos que se vão organizando de forma harmoniosa. As suas seis cores (vermelho, azul, bege, cinza, branco e preto), usadas isoladamente, a reprodução de um vasto conjunto de motivos vegetalistas e geometrizados e o uso de um conjunto vasto de pontos tornaram este bordado singular e muito apreciado.

Por CATARINA PEREIRA
Directora artística da Casa da Memória e Artes Tradicionais de Guimarães n ‘A Oficina
ILustração JOÃO BETTENCOURT BACELAR

