A exposição individual da fotógrafa Evelyn Kahn, intitulada “IMPROVÁVEL”, no Museu Medeiros e Almeida de 10 De Outubro a 9 de Novembro de 2024, conta com a curadoria de Rita Lougares e é composta por 41 fotografias nunca antes expostas. A mostra assenta no diálogo entre imagens feitas em tempos e lugares diferentes que, de um modo inesperado, se harmonizam e complementam. Detalhes, texturas, formas, reflexos e cores entrelaçam-se, estabelecendo ligações improváveis entre diferentes mundos, criando uma tapeçaria visual, mágica e poderosa.
A fotografia de Evelyn Kahn é um convite pessoal para olhar o mundo, seja na sua essência visível ou no seu lado oculto. O seu trabalho desafia a desacelerar e a perceber a beleza nos detalhes que muitas vezes passam despercebidos no dia a dia. A capacidade para eternizar momentos confere à sua obra um apelo universal, atraindo um público diversificado.
A fotografia como linguagem natural das artes visuais
A fotografia esteve sempre presente na vida de Evelyn Kahn, mas foi só a partir do final da década de 1990, depois de fazer o curso do Ar.Co (1998–2001), onde adquiriu importantes conhecimentos técnicos, que a sua paixão se tornou um verdadeiro projeto de vida. Para esta exposição, intitulada Improvável, foram selecionadas 41 fotografias, tiradas em diferentes sítios ao longo dos anos. Organizando-se em pares nem sempre evidentes, a seleção obedeceu a uma estética e uma poética muito próprias da artista. Tive o privilégio de acompanhar a Evelyn neste trabalho muito rigoroso, que nem sempre foi fácil, obrigando-a a escolhas por vezes dolorosas, pelo facto de se deixarem algumas imagens para trás.
Vivemos numa era do visual, numa época de imagens; e a Evelyn Kahn soube encontrar aquilo que os outros desprezam ou não veem, captando momentos únicos de grande magia: fotografias que podem serpovoadas por crianças, jovens, mulheres, rostos, olhares e sorrisos, ou imagens simplesmente abstratas. Através da sua obra, a Evelyn explora os elementos do acaso e o jogo entre realismo e abstração. Nas suas fotografias, sobretudo nas mais abstratas, a artista tenta reinterpretar a realidade pela transformação das imagens de acordo com a sua subjetividade, experiência e sensibilidade, usando a sua criatividade e o seu enorme sentido estético.
Algumas das suas fotografias confundem-se facilmente com pinturas, pela forma notável como obtém uma particularidade persuasiva em todas as texturas específicas do espaço que são trazidas à superfície.
Raciocinando a imagem fotográfica como um desenho, a Evelyn utiliza livre e criativamente linhas, formas, texturas e cores — elementos intrinsecamente ligados à nossa vida, a tudo o que vemos e tocamos.
Assim, convida-nos a perscrutar os detalhes, orientando o nosso olhar para segundos planos com o propósito de nos mostrar a grandeza do pequeno e de nos transportar para lugares fantásticos que nunca
imaginámos. Como um pintor cria a sua obra, também a Evelyn é capaz de se expressar de forma criativa por meio da câmara e da sua imaginação, trabalhando a luz, a cor e a sombra, e explorando esse jogo
cromático que lhe permite criar imagens improváveis e únicas que impressionam pela sua beleza visual.
Assim, espero que, neste mundo de grandes incertezas em que vivemos, esta exposição se revele uma experiência diferente, que nos transporte para lugares mágicos e que nos convoque para um momento
especial em que possamos reunir os fragmentos enigmáticos, poéticos e românticos que a Evelyn brilhantemente nos vai deixando. Captando as suas nuances, podemos experienciar as diferentes sensações que as suas obras provocam para nos deixarmos surpreender e para olharmos a arte como uma afirmação humana.
Por Rita Lougares
SOBRE EVELYN KAHN




