
Joana de Verona é uma das atrizes mais importantesda sua geração e também tem vindo a sobressair noutras áreas, nomeadamente enquanto realizadorae criadora a nível das artes performativas.
Nascida Joana de Verona Correia Vilela Machado no nordeste brasileiro, mas filha de pais portugueses, tem nestes dois países a sua pátria. Aos oito anos, já sabia que queria ser atriz ou bailarina, fazendo a sua estreia no teatro, em 1998, em Portugal, com a peça Tribunal Ética ou Moral e, em televisão, na minissérie Presença de Anita, na TV Globo, em 2001.
Com um currículo impressionante em teatro, cinema e televisão, vencedora de vários prémios ao longoda sua carreira de Melhor Atriz, como no Rio de Janeiro Film Festival, no Estoril Film Festival e na Sociedade Portuguesa de Autores, assim como um golden bear de melhor curta-metragem no Festival de Cinema de Berlim (a Berlinale) com Rafa filme de João Salaviza. Foi considerada pelo jornal O Globo, como uma das beldades do cinema europeu.
A A MAGAZINE ESTEVE COM A JOANA EM GUIMARÃES E CONVERSOU SOBRE VÁRIOS ASSUNTOS, TAIS COMO A SUA CARREIRA:
Já há muitos anos que sentia que ser apenas atriz era insuficiente para mim. Aos 22 anos, fui para Paris fazer um curso de realização de cinema e foi nesse contexto que realizei e montei o meu primeiro filme, o documentário Chantal. O filme fez um bom circuito de festivais e está no catálogo da Filmin. Também realizei e editei uma curta de ficção em Itália, que não enviei para festivais, mas foi importante como experimentação e prática. Realizei recentemente um videoclip que sairá em breve. E tenho muita vontade de me debruçar com o tempo e a calma necessária no meu próximo filme, uma co-produção, que será uma longa-metragem documental.
A DANÇA ASSUME UM PAPEL MUITO IMPORTANTE NA TUA VIDA…
Sim. Além da realização de cinema, também a criação de objetos performativos e instalações, trabalhos ligados ao movimento, à pesquisa e aprofundamento da dança têm sido importantes. Estudo e pratico dança desde criança, e é, sim, uma grande paixão. Também já dei formação ligada ao movimento e ao acompanhamento de processos criativos em performance. Espero poder continuar a criar não apenas como intérprete mas também como criadora e realizadora.

Vestido Balmain (Loja das Meias), casaco Dino Alves, joias Olga Noronha
GOSTASTE DE PARTICIPAR NO DANÇA COM ESTRELAS?
O Dança foi uma brincadeira, ou seja, tirando a parte dos diretos, que, de facto, me deixavam nervosa, as aulas diárias e o desafio foram interessantes, como por exemplo, trabalhar a dança de salão com um bailarino, um estilo de dança que desconhecia por completo, ou os lifts, etc. Fiz coisas que não imaginei que faria e gostei dessa parte, da aprendizagem, claro, sendo a dança um grande interesse meu, foi uma experiência onde pude aprender.
E OUTROS INTERESSES?
As minhas paixôes e ocupações vão variando entre a prática da dança, pintura, fotografia e, mais recentemente, cerâmica. Sempre que posso, gosto de estar em contacto com a natureza e, estar dentro de água é vital para mim. Os meus interesses passam pela arte, psicologia, filosofia, política, atividades físicas e natureza.
SE ESTAR DENTRO DE ÁGUA É VITAL, COMO FOI SER SEREIA NO FILME TINNITUS, DE GREGÓRIO GRAZIOSI?
Extraordinário. Esse filme foi um dos trabalhos mais difíceis que fiz, exatamente pela componente física. Aprender a nadar com uma cauda de sereia, fazer apneia, fazer corações com bolhas de ar dentro de água, estar a nadar ao lado de raias, tubarões lixa e uma tartaruga gigante, num aquário de água do mar. Foi realmente muito exigente, mas sinto um enorme prazer na superação e, sobretudo, no poder fazer e aprender coisas completamente novas.
FALAS CINCO IDIOMAS?
(risos). Sei comunicar e perceber cinco línguas sim, claro que umas melhor do que outras. Mas quem fala português tem facilidade com outros idiomas, porque a fonética portuguesa é das mais ricas sonoramente o que facilita a aprendizagem de outras línguas. Além disso, em Portugal não há o hábito de se dobrar os filmes, são todos nas suas línguas originais, o que também facilita a aprendizagem. A proximidade com outros países e facilidade de se viajar dentro da Europa faz com que a aprendizagem de línguas se torne acessível. No meu caso, foi muito pelo facto de viver noutros países, ter amigos de outras nacionalidades, fazer filmes em países distintos, tudo isso contribuiu.
JÁ VIVESTE EM VÁRIOS LUGARES DISTINTOS…
Sim… Gosto de estudar, de aprender, de conhecer pessoas, de viajar evidentemente, por isso mesmo é que tenho tido esta biografia saltitante desde a infância com a minha família. Nasci no nordeste do Brasil, fui registada na Amazónia e vivi com eles em Trás-os-Montes, Ribatejo, Alentejo, Baía, Rio de Janeiro, Lisboa. Depois já sozinha, vivi em Berlim, Paris, Recife, São Paulo e inúmeras vezes entre o Rio e Lisboa. Têm sido muitos lugares, muitas casas, muitas paisagens, pessoas, escolas, línguas e culturas diferentes.
O MELHOR ENSINAMENTO QUE APRENDESTE COM OS TEUS PAIS?
Humm… sentido de ética, responsabilidade, profissionalismo, curiosidade pelo Mundo, e vontade de aprender e estudar.
QUAL FOI O SÍTIO MAIS REMOTO QUE VISITASTE E QUAL A TUA CIDADE DE ELEIÇÃO?
Remoto alguns.., Egipto, Maldivas, aldeias da comunidade indígena Pataxó, montanhas marroquinas, lugares no Laos. Cidade de eleição é muito difícil, muitas das cidades italianas pelas suas belezas. Mas tenho assim um eixo de destaque, Paris, pela importância que tem na minha vida a nível pessoal e profissional, por ter vivido e estudado realização de cinema lá, foi muito importante no meu percurso; Berlim, por ter ido muitas vezes, ter lá filmado durante uma temporada e, em termos de música e exposições foi um lugar que foi fundamental na minha formação artística. Lisboa, por ser linda, segura, especial e a minha base há vários anos, e o Rio, pela sua natureza, por ter passado lá parte da minha infância e adolescência, por estar lá tantas vezes.

Vestido Nuno Baltazar
JÁ TRABALHASTE COM A GLÓRIA PIRES E COM SUSANA VIEIRA E AGORA IRÁS NOVAMENTE PARA O BRASIL FAZER UM TRABALHO, DESTA VEZ COM A ADRIANA ESTEVES. SÃO MONSTROS DA REPRESENTAÇÃO BRASILEIRA. O QUE TE ACRESCENTOU ENQUANTO ATRIZ E PESSOA ESSA EXPERIÊNCIA E QUAIS AS EXPECTATIVAS PARA ESTE NOVO DESAFIO?
Expectativas ainda não muitas, espero apenas que seja um trabalho feliz e leve. Mas muitas expectativas aumentam a possibilidade de deceção, então prefiro ir tranquila, positiva e descobrir o que virá por aí. Com a Susana Vieira observei a sua autenticidade e a sua dose de “loucura”. Com a Glória Pires, a sua humildade, profissionalismo e o quão gentil e boa anfitriã ela é. Com a Adriana Esteves, espero ter cenas com ela e que seja boa colega.
QUAL O GÉNERO DE CINEMA QUE MAIS GOSTAS?
Ui. Muito difícil responder a isso. Realismo fantástico e muitos outros tipos que fujam a um certo hipernaturalismo, não adoro esse registo na arte. Gosto que o cinema faça uso das várias ferramentas, escrita, enquadramento, som, interpretação, narração, montagem, efeitos especiais, para criar mundos, acionar a imaginação, tocar o invisível, mexer na perceção do público, expandir o consciente, inventar novas narrativas, surpreender, ter magia e mistério. Gosto desde cinema asiático, europeu, da América Latina, gosto de diversas estéticas.

Óculos Lowe, camisola, cinto e sandálias Maria Gambina, saia Zimmerman (Loja das Meias)
COM QUEM GOSTARIAS AINDA DE CONTRACENAR?
Não penso muito nisso. Nunca tinha pensado que iria contracenar com o Gérard Depardieu, trabalhar num filme com o John Malkovich e com a Isabelle Huppert e Catherine Deneuve e estar com elas na estreia desse filme. Nem imaginei que fosse conhecer a Juliette Binoche ou a Charlotte Gainsbourg. Já está bom, não?!
PODE HAVER OUTROS NOMES…
Não sei, talvez escolhesse a Meryl Streep, Kate Winslet, Matheus Nachtergaele, Sean Penn, Denis Lavant e a Juliette Binoche, com quem só tive o prazer de conversar, mas não de contracenar.
COMO FOI FOTOGRAFAR NA CIDADE BERÇO
DE PORTUGAL?
Foi ótimo. Cidade linda, onde já filmei há uns anos, histórica, gostei mesmo muito de voltar.
TENS UM MONUMENTO PREFERIDO?
Em Guimarães ou no Mundo? Em Guimarães, o castelo e a parte antiga da cidade. No Mundo, … talvez Angkor Wat, o templo belissímo no Cambodja e o vale dos reis no Egipto.


