As Mulheres de Maria Lamas

A Exposição As Mulheres de Maria Lamas inaugura amanhã no Átrio da Biblioteca de Arte da Fundação Calouste Gulbenkian e estará patente até dia 28 de Maio.

Jovem mãe da Castanheira, 25×20 cm, Serra da Estrela, 1948-1950, Maria Lamas, coleção privada
Descrição em “As Mulheres do meu país”:Jovem mãe da Castanheira, serra da Estrela. Tem vinte e um anos e este é o seu primeiro filho. O marido é caseiro, filho de caseiros; ela própria nasceu na serra e trabalha na lavoura desde pequenina. A maneira de pôr o xaile e de segurar com ele a criança é característica, não só daquela região, mas de quase todas as aldeias portuguesas. Também o lenço solto, sobre a cabeça, com as pontas atiradas para trás, é uma nota muito típica do vestuário das camponesas, nos momentos de folga. A casa que se vê ao fundo- a única, naquelas redondezas, que não é coberta de colmo, mas sim de zinco- destinava-se a posto de ensino. mas é atualmente utilizada como celeiro, porque o posto fechou, por falta de frequência. Esta fotografia, feita no tempo das colheitas, reproduz o ambiente das eiras, com os montes de palha de centeio, que ficaram depois das malhas.

Maria da Conceição Vassalo e Silva da Cunha Lamas nasceu no dia 6 de outubro de 1893 em Torres Novas. Foi uma escritora, tradutora, jornalista e ativista política feminista portuguesa. Embora segundo o professor Jorge Calado, curador da exposição, Maria Lamas não gostava do termo ativista, feminista ou sufragista, mas que pensassem nela como uma cidadã, um ser humano. – Não defendo os direitos das mulheres, defendo os direitos humanos – terá dito.

Maria Lamas, Lisboa, 1931, Biblioteca de Arte da Fundação Calouste Gulbenkian

“Maria Lamas foi a mais notável mulher de Portugal no século XX. Pela sua personalidade corajosa, obra literária multifacetada. Da literatura infantil à poesia, conto, romance e ensaio, traduções e adaptações de importantes obras estrangeiras, além de volumes enciclopédicos sobre a condição da mulher portuguesa, a mulher no mundo, a ilha da Madeira e a mitologia de deuses e heróis. Distingue-se também pela intervenção e ação políticas nos tempos da ditadura.
A sua obra mais emblemática teria sido As Mulheres do Meu País (1948-50), documentada e escrita em resposta ao cancelamento (1947) do Conselho Nacional das Mulheres Portuguesas (do qual era presidente).149 fotografias do livro, mais de um quarto do total, são de sua autoria. Nunca usara uma máquina fotográfica…” Jorge Calado

 Imagem: Exposição As Mulheres de Maria Lamas, Fundação Calouste Gulbenkian.

“Com 7 anos de idade, esta pequenita do Castelo do Neiva parece uma mulherzinha e trabalha como tal. Ficou assustada quando a fotografaram”.

Para João Vieira, diretor da Biblioteca de Arte da Fundação Calouste Gulbenkian, a fotografia é uma parte muito importante do seu espólio, sendo que esta exposição tem o objetivo de revelar uma faceta relativamente desconhecida de Maria Lamas.
“Como fotógrafa, Maria Lamas (…) deu-nos a Jovem Mãe de Castanheira e a Velha Camponesa de Folgosinho. As suas fotografias são diretas, seguras e autênticas”. Jorge Calado

A joeirar centeio,  25×20 cm, Maria Lamas, 1948-1950.

Descrição em “As Mulheres do meu país”: Esta rapariga do Covão da Ponte, região de Manteigas, em plena serra da Estrela, está a joeirar centeio, da pequena colheita da sua família, numa eira improvisada num terreiro em frente da sua casa. Para facilitar esta tarefa, extremamente fatigante, visto ser necessário aguentar e agitar constantemente a joeira, cheia de cereal, é costume apoiarem-na sobre um pau, como se vê na fotografia. A manta que está no chão é de farrapos, tecida na região.

 Imagens: Exposição As Mulheres de Maria Lamas, Fundação Calouste Gulbenkian.